festa della presentazione del signore e xxv giornata della vita consacrata

Editrice Shalom

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Autore: Editrice Shalom

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Apresentação do Senhor e XXV Dia da Vida Consagrada

Apresentação do Senhor

No dia 2 de fevereiro celebra-se a festa da Apresentação do Senhor, popularmente conhecida como Candelária ou também “festa das luzes”, porque a celebração eucarística começa com o rito da bênção das velas, símbolo de Cristo, luz das nações, como proclama o velho Simeão quando toma nos braços o menino Jesus.
São João Paulo II escolheu celebrar o Dia da Vida Consagrada precisamente neste dia em que se comemora a apresentação que Maria e José fazem de Jesus no templo “para o oferecerem ao Senhor” (Lc 2,22), uma vez que: «nesta cena evangélica se revela o mistério de Jesus, o consagrado do Pai, vindo ao mundo para cumprir fielmente a sua vontade (cf. Hb 10,5-7)» (Mensagem para o I Dia da Vida Consagrada, 6 de janeiro de 1997).

Detenhamo-nos brevemente no significado da Apresentação no templo e do Dia da Vida Consagrada.

Em obediência à lei de Moisés

No tempo de Jesus estava previsto que, 40 dias depois do nascimento, tivessem lugar simultaneamente a oferta do primogénito e a purificação da mãe; por isso, antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, esta festa tinha o nome de “Purificação da Bem-Aventurada Virgem Maria”. Maria, embora fosse virgem e pura, submeteu-se à lei da purificação, para nos dar exemplo de humildade e de obediência à lei de Deus.
O evangelista Lucas precisa que Maria e José ofereceram o sacrifício dos pobres. Com efeito, estava prescrito que, depois do parto de um primogénito masculino, a mãe se abstivesse das práticas rituais durante quarenta dias, findos os quais devia oferecer um duplo sacrifício: um cordeiro em holocausto e uma rola ou um pombo pelo pecado; se a mulher fosse pobre, podia oferecer duas rolas ou dois pombos; e foi isso que ofereceram os dois santos esposos.
Aprofundando o que a lei de Moisés prescrevia, sabemos que, para o primogénito masculino, estava previsto o resgate, mediante a oferta de cinco siclos, que deviam ser pagos a um sacerdote em qualquer lugar. E isto em memória do facto de Deus ter poupado, no período do Êxodo, os primogénitos dos hebreus. Embora não fosse necessário ir ao templo, Maria e José quiseram cumprir tudo em Jerusalém e, para Lucas, isto tem um significado teológico preciso: Jesus é apresentado no templo de Deus, isto é, o Filho do Altíssimo é oferecido ao Pai que o enviou. Esta oferta de Jesus ao Pai torna-se o prelúdio da sua oferta sacrificial na cruz.

«Os meus olhos viram a tua salvação»

«Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz, segundo a tua palavra, porque os meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória do teu povo, Israel» (Lc 2,22-40). São as palavras do ancião Simeão, que foi o primeiro a ir ao encontro do Menino Jesus, apresentado no templo por Maria e José. Simeão comove-se ao tomar Jesus nos braços e, com a sua oração, revela-nos o desígnio de Deus para aquele Menino. Também uma mulher, Ana, tal como Simeão, perto do fim dos seus dias, identifica o Menino como Messias. O Espírito Santo conduz-nos a ver naquele Menino o cumprimento da sua longa e vigilante espera. A sua atitude recorda-nos que «as coisas mais importantes do mundo não devem ser procuradas, devem ser aguardadas» (Simone Weil). Têm a intuição clara de que é precisamente ele o Messias prometido, precisamente aquele menino nascido numa família humilde, de gente simples.
Salienta o padre Ermes Ronchi: «Simeão pronuncia uma profecia de palavras imensas sobre Maria, três palavras que atravessam os séculos e chegam a cada um de nós: o menino está aqui como queda e ressurreição, como sinal de contradição, para que os corações sejam revelados. Queda, é a primeira palavra. “Cristo, minha doce ruína”, canta o padre Turoldo, que arruínas não o homem, mas as suas sombras, a vida insuficiente, a vida moribunda, o meu mundo de máscaras e mentiras, que arruínas a vida ilusória. Sinal de contradição, a segunda. Ele, que contradiz os nossos caminhos com os seus caminhos, os nossos pensamentos com os seus pensamentos, a falsa imagem que alimentamos de Deus com o rosto inédito de um abbá de grandes braços e coração de luz, contradição de tudo aquilo que contradiz o amor. Ele está aqui para a ressurreição, é a terceira palavra: por ele ninguém é dado como perdido, ninguém está perdido para sempre, é possível recomeçar e ser novo».

Dia da Vida Consagrada

A Apresentação de Jesus no templo constitui uma imagem significativa da total doação de si para todos aqueles que são chamados a testemunhar com a sua vida o encontro com Jesus tal como ele é: casto, pobre e obediente. A sua é uma resposta de amor ao olhar de amor de Jesus. Dirigindo-se aos consagrados, o papa Francisco disse no ano passado: «Também vós, queridos irmãos e irmãs consagrados, sois homens e mulheres simples que vistes o tesouro que vale mais do que todos os bens do mundo. Por ele deixastes coisas preciosas, como os bens, como constituirdes uma família vossa. Porque o fizestes? Porque vos apaixonastes por Jesus, vistes tudo nele e, arrebatados pelo seu olhar, deixastes o resto. A vida consagrada é esta visão. É ver o que conta na vida. É acolher o dom do Senhor de braços abertos, como fez Simeão. Eis o que veem os olhos dos consagrados: a graça de Deus derramada nas suas mãos. O consagrado é aquele que, todos os dias, se olha e diz: “Tudo é dom, tudo é graça”. Queridos irmãos e irmãs, não merecemos a vida religiosa, é um dom de amor que recebemos».
Um dom de amor a partilhar com cada pessoa, para «sonharmos juntos», como recorda a carta de 18 de janeiro de 2021 que o prefeito e o secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica enviaram a todos os consagrados e consagradas. Carta que foi publicada pelo jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano. Reproduzimos alguns excertos: «Na Encíclica Fratelli tutti, o Papa Francisco convida-nos a agir juntos, a fazer renascer em todos “uma aspiração mundial à fraternidade” (n. 8), a sonhar juntos (n. 9), para que “perante os diversos modos atuais de eliminar ou ignorar os outros, sejamos capazes de reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social...” (n. 6).
Consagradas e consagrados nos Institutos religiosos, monásticos, contemplativos, nos institutos seculares e nos novos institutos, membros da ordo virginum, eremitas, membros das sociedades de vida apostólica, a todos vós pedimos que coloqueis esta Encíclica no centro da vossa vida, formação e missão. A partir de agora, não podemos prescindir desta verdade: somos todos irmãos e irmãs, como, aliás, rezamos, talvez sem tanta consciência, no Pai-nosso, porque “sem uma abertura ao Pai de todos, não pode haver razões sólidas e estáveis para o apelo à fraternidade” (n. 272)
Esta Encíclica, escrita num momento histórico que o próprio Papa Francisco definiu como “a hora da verdade”, é um dom precioso para cada forma de vida consagrada que, sem esconder as muitas feridas infligidas à fraternidade, pode reencontrar nela as raízes da profecia».

O Papa Francisco recordou-nos que «o olhar dos consagrados só pode ser um olhar de esperança». Façamos nossa a sua oração: «Agradeçamos a Deus pelo dom da vida consagrada e peçamos um olhar novo, que saiba ver a graça, que saiba procurar o próximo, que saiba esperar. Então também os nossos olhos verão a salvação».

Bom caminho!

Apresentação do Senhor e XXV Dia da Vida Consagrada

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