il mio pomeriggio con un uomo che porta dio sul grande schermo pupi avati

Editrice Shalom

Tempo di lettura: 3 min
Autore: Editrice Shalom

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A minha tarde com um homem que leva Deus ao grande ecrã: Pupi Avati

Pupi Avati

A minha “afinidade espiritual” com o grande realizador Pupi Avati remonta já a muitos anos. Sempre apreciei muito a delicadeza e a simplicidade dos temas abordados nos seus filmes, mas provavelmente também comecei a reconhecer, na sua arte, traços e uma visão da vida e do ser humano muito semelhantes aos meus.
Descobri também que ambos temos uma longa experiência no escutismo e que este método educativo provavelmente deixou em nós marcas profundas.

Por isso, no domingo passado fui ao cinema ver o seu novo filme, lançado a 4 de maio: O décimo quarto domingo do Tempo Comum, título que já tinha despertado a minha curiosidade.


Durante cerca de duas horas, assisti à narrativa de uma vida, a de Marzio Barreca, músico frustrado e desiludido, mas incapaz de fazer cedências perante a vida e ainda capaz, depois de tantos fracassos, de seguir os seus sonhos. A sua vida entrelaça-se inevitavelmente com a da mulher que ama e com a dos seus companheiros de estrada. No ecrã, Avati fez-me reviver a Bolonha dos anos ´70 e as feridas que cada uma das personagens carrega consigo: Marzio, a falta de um pai que morreu demasiado cedo e a desilusão de um grande amor que terminou; Sandra, sua mulher, a incapacidade de amar quando não se foi amado; Samuele, a dor da morte de um filho e de uma vida vivida pela metade…
Mas uma das cenas que para mim é mais comovente, e que hoje em dia é tão invulgar ver no cinema, é aquela em que o protagonista, perante um diagnóstico difícil feito a uma pessoa por ele muito amada, vai à igreja rezar. O realizador detém-se longamente no sacrário. 

Numa entrevista à Agensir (www.agensir.it), Avati declarou: «Antes éramos dois, porque havia Ermanno Olmi. Agora parece-me que fiquei sozinho… Marzio, perante esta situação tão complexa, em que a ciência demonstra os seus limites, reage entrando numa igreja para rezar. Dirige-se ao transcendente em busca de consolação, de ajuda, de escuta e de conforto. Perguntei à plateia se se lembrava de um filme recente com uma cena semelhante, mas ninguém soube responder. Então ocorre-me pensar que sou uma espécie de exceção.

No filme conto também a reconstrução de um casamento depois de 37 anos: são todos elementos que vêm do meu contexto, da cultura católica, valores fundamentais para mim. E continuo obstinadamente a apresentá-los, expondo-me por vezes ao escárnio. Creio, contudo, manifestar uma certa coerência, não cedendo às modas de um “proselitismo laico”, que priva da possibilidade de intuir que existe algo mais. Perante o mistério da vida e da morte, a ciência ainda não consegue dar respostas. E também eu me pergunto sempre se consegui dar um sentido à minha vida».


Acrescentou ainda: «É o “Sermão da montanha”, “As bem-aventuranças”, o momento mais elevado do Evangelho, que releio todas as noites: é a minha Constituição. É a coisa mais bela que existe, proferida por um rapaz de há dois mil anos, indicando como o ser humano deveria comportar-se perante o mundo e o próximo».

E diria que, também neste caso, estou mais do que de acordo com ele! Sugiro-vos que vão ver o filme O Décimo Quarto Domingo do Tempo Comum, título escolhido em homenagem ao dia do casamento do realizador com a sua amada mulher, para se surpreenderem perante o trabalho deste homem que, como poucos, sabe perscrutar a alma das personagens e descrever o desejo de Deus e de felicidade que todos temos dentro de nós.

Barbara, uma redactora da Editrice Shalom


A minha tarde com um homem que leva Deus ao grande ecrã: Pupi Avati

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