il miracolo eucaristico di trani italia xi secolo

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Autore: Editrice Shalom

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O Milagre Eucarístico de Trani (Itália, século XI)

Milagre eucarístico de Trani

O beato Carlo Acutis tinha idealizado e realizado uma belíssima exposição itinerante sobre os Milagres Eucarísticos. Esta exposição continua a percorrer a Itália e o mundo; todos os milagres eucarísticos presentes na exposição foram reunidos no livro I miracoli eucaristici nel mondo, do qual este texto foi retirado.

Representação antiga do prodígio.

Uma mulher de religião não cristã, incrédula quanto à verdade do dogma católico da presença real de Jesus na Eucaristia, ajudada por uma amiga cristã, conseguiu roubar uma hóstia consagrada durante a celebração de uma santa Missa. A mulher, como que desafiando Deus, colocou depois a partícula consagrada numa frigideira com óleo sobre
o fogo. De repente, da hóstia começou a escorrer uma grande quantidade de sangue, que se derramou pelo chão até sair pela soleira da porta de casa.


Em Trani, na Apúlia, ainda hoje se conserva na catedral dedicada a Maria Santíssima Assunta a relíquia deste milagre eucarístico ocorrido por volta do ano mil. São muitos os documentos que relatam o prodígio, entre os quais alguns monogramas eucarísticos reproduzidos nas antigas ruas da cidade. O frade Bartolomeo Campi descreve na sua obra L’innamorato di Gesù Cristo (1625) um relato pormenorizado de como os factos ocorreram: «Fingindo ser cristã, a mulher comungou com as outras… E, depois de receber a partícula, tirou-a da boca e colocou-a no lenço.

Interior da casa da mulher sacrílega, transformada em capela em 1706.
Pormenor da pintura de Paolo Uccello que evoca o prodígio. Museu de Urbino.

Ao regressar a casa, querendo experimentar se era pão ou não, colocou aquela bendita partícula dentro de uma frigideira cheia de óleo para a fritar… Em contacto com o óleo a ferver, a partícula transformou-se milagrosamente em carne ensanguentada e a hemorragia de sangue, chamemos-lhe assim, não parou imediatamente; pelo contrário, derramou tanto sangue para fora da frigideira que corria e inundava por toda a parte aquela maldita e execrável casa. Assustada e cheia de terror, a mulher começou a gritar… e as vizinhas acorreram imediatamente para ver qual era o motivo de tão grande pranto…».

Relicário do século XVII contendo a hóstia milagrosa.

O Arcebispo foi imediatamente informado do sucedido e ordenou que a partícula fosse reverentemente levada de volta para a igreja. O próprio abade cisterciense Ferdinando Ughelli (1670), na sua famosíssima obra enciclopédica Italia sacra, escrevia numa nota ao sétimo volume: «Em Trani venera-se uma hóstia sagrada, frita por desprezo pela nossa fé…, na qual, depois de descoberto o pão ázimo, apareceu a verdadeira carne e o verdadeiro sangue de Cristo, que caiu até ao chão». Encontramos também uma confirmação indireta do milagre numa afirmação de São Pio de Pietrelcina, que exclamou: «Trani é afortunada, porque por duas vezes o sangue de Cristo banhou a sua terra».

A referência dizia respeito ao milagre eucarístico de que nos ocupámos e ao milagre do Crucifixo de Colonna, cujo nariz desfigurado deixou sair um abundante jorro de sangue. Em 1706, a casa da mulher foi transformada em capela graças à generosa oferta do nobre Ottaviano Campitelli. A relíquia da hóstia foi colocada, em 1616, dentro de um antigo relicário de prata oferecido por Fabrizio de Cunio. Sobre esta santa relíquia foram realizados muitos controlos e verificações em diferentes épocas; o último ocorreu em 1924, por ocasião do Congresso Eucarístico Interdiocesano, por iniciativa de monsenhor Giuseppe Maria Leo.


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