Passados 400 anos da sua morte, terá Francisco de Sales ainda algo para nos dizer? A resposta a esta pergunta é sim, tenho a certeza. Poderíamos citar a Filoteia, em que Francisco nos ajuda a compreender que se pode ser cristão, isto é, pertencer a Cristo, e ser feliz também através de uma família, de um trabalho, dos compromissos quotidianos, ou as suas Cartas, que nos guiam à descoberta da beleza da amizade.

Francisco continua a transmitir-nos sobretudo uma mensagem: para sermos felizes, basta viver o quotidiano de forma extraordinária, isto é, unidos a Jesus! Então, quer deixar-se atrair por Deus para além da mediocridade e das meias escolhas? Eis o Teótimo (= pessoa apaixonada por Deus). O tema fundamental deste texto é o Amor, precisamente aquele com «A» maiúsculo, e não as suas falsificações. Hoje, esta palavra é entendida de mil maneiras, muitas vezes diferentes, quando não contrastantes entre si.
Pare um momento e pergunte a si próprio: «Hoje, no meu dia a dia, preciso de compreender melhor o que significa amar?». Se deseja algumas palavras sábias sobre si, sobre a relação com a sua mulher, com o seu marido, sobre a educação dos seus filhos, Francisco acolhe-o de bom grado e, nas páginas de Teótimo, continua ainda hoje a indicar-lhe o caminho. Imagine, por exemplo, que podia encontrá-lo e que estava tão zangado consigo próprio (ou com os outros) e tão desiludido com os seus esforços vãos, que entrava no quarto dele batendo a porta. Francisco, perante a sua invocação: «Ajuda-me a amar!», limitar-se-ia a sugerir-lhe calmamente: «Comece por fechar a porta devagar».


