Camminiamo insieme
A nossa casa comum clama por cuidado e esperança no Dia Mundial do Ambiente
Tempo di lettura: 4 min
Autore: Editrice Shalom
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Hoje, 5 de junho, celebramos o Dia Mundial do Ambiente, uma efeméride instituída pelas Nações Unidas em 1972 para chamar a atenção para a importância vital de proteger e preservar o ambiente para o bem-estar dos povos e o desenvolvimento económico. Este dia oferece-nos uma preciosa ocasião para parar e refletir sobre o profundo vínculo que nos une à Terra, a nossa «casa comum», na definição do Papa Francisco.
O cuidado da «nossa casa comum»
O Papa Francisco insistiu muito, ao longo do seu pontificado, no cuidado do ambiente e quis partilhar a sua «preocupação pelo cuidado da nossa casa comum».
Com a Encíclica Laudato si’ e, mais recentemente, com a Exortação Apostólica Laudate Deum, reafirmou: «Com o passar do tempo, dou-me conta de que não reagimos suficientemente, pois o mundo que nos acolhe está a desmoronar-se e talvez se esteja a aproximar de um ponto de rutura». Os sinais das alterações climáticas são cada vez mais evidentes e inegáveis, verdadeiros «lamentos da terra», que nos mostram como «o impacto das alterações climáticas prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias», especialmente os mais vulneráveis.
A Terra, que São Francisco de Assis cantava como «nossa irmã, a mãe terra», hoje «protesta pelo mal que lhe provocamos» devido a um «uso irresponsável e… abuso dos bens que Deus colocou nela». A violência no coração humano, ferido pelo pecado, manifesta-se também nos «sintomas de doença que percebemos no solo, na água, no ar e nos seres vivos». A nossa terra, sofredora e devastada, «geme e sofre as dores do parto», transformando-se cada vez mais num «imenso depósito de lixo».
Uma crise ambiental, uma crise humana e social
Esta crise, longe de ser apenas um problema ecológico, está intimamente ligada à «dignidade da vida humana» e à «degradação humana e social». Não podemos enfrentar a degradação ambiental sem prestar atenção às suas causas humanas e sociais. Existe uma «única e complexa crise socioambiental», em que os gemidos da Terra se unem aos «gemidos dos abandonados do mundo». É doloroso constatar como os pobres são os mais atingidos pelos impactos ambientais, frequentemente ignorados num mundo que parece concentrar-se em «mascarar os problemas ou esconder os seus sintomas» ou na «lógica do máximo lucro ao mínimo custo».
A raiz desta crise encontra-se numa visão da realidade que acredita que o bem e a verdade brotam «espontaneamente do próprio poder da tecnologia e da economia». Este paradigma tende a considerar a natureza como um mero «recurso ao seu serviço», um objeto de exploração ilimitada. O Papa Francisco convida-nos, pelo contrário, a reconhecer que «a origem humana – “antrópica” – das alterações climáticas não pode ser posta em dúvida». Esta «intervenção humana desenfreada na natureza nos últimos dois séculos» tornou-nos «altamente perigosos, capazes de pôr em risco a vida de muitos seres e a nossa própria sobrevivência».
Deus viu… era uma coisa boa
Perante esta situação, a mensagem da fé cristã oferece motivações profundas para o cuidado. A Bíblia recorda-nos que Deus viu «tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom». Toda a criação é um dom de Deus, uma «manifestação divina no esplendor do sol e no cair da noite». São Francisco de Assis, amado também por muitos não cristãos, é um «exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e de uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade». Vivia numa «maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo próprio», reconhecendo cada criatura como uma irmã ou um irmão, unido a ele por «laços de afeto».
Uma conversão ecológica
Este Dia Mundial do Ambiente chama-nos, portanto, a uma «mudança de estilos de vida», a uma «revolução cultural». Não basta procurar soluções técnicas, mas é necessária uma «conversão ecológica», que implica «deixar emergir todas as consequências do encontro com Jesus nas relações com o mundo que os rodeia». Esta conversão conduz-nos a uma «gratidão e gratuidade» para com o mundo como dom, a uma consciência amorosa de formarmos «com os outros seres do universo uma maravilhosa comunhão universal».
Também os pequenos gestos quotidianos contam: evitar o uso de plástico, reduzir o consumo, reciclar, utilizar os transportes públicos – tudo isto faz parte de uma «criatividade generosa e digna» que difunde o bem na sociedade.
Apesar das dificuldades e da tentação da resignação, o Papa Francisco recorda-nos que «nem tudo está perdido». Os seres humanos «podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se». A esperança não é vã. Ainda podemos trabalhar para construir um futuro melhor.
Neste Dia Mundial do Ambiente, unamos os nossos corações e as nossas mãos, inspirados pelo amor infinito de Deus que permeia cada criatura. Caminhemos juntos, «procurando Deus», com a «alegria da esperança», porque «o amor conduz-nos sempre a encontrar novos caminhos».
