Textos retirados do Missal “Sobre a Tua Palavra” julho-agosto de 2023
Assunção da bem-aventurada Virgem Maria (s)
própria
Missa vespertina da vigília
PRIMEIRA LEITURA
Do primeiro livro das Crónicas (1Cr 15,3-4.15-16;16,1-2)
Naqueles dias, David convocou todo o Israel para Jerusalém, a fim de fazer subir a arca do Senhor para o lugar que lhe tinha preparado. David reuniu os filhos de Aarão e os levitas. Os filhos dos levitas levantaram a arca de Deus sobre os seus ombros, por meio de varais, como Moisés tinha prescrito segundo a palavra do Senhor. David disse aos chefes dos levitas que preparassem os seus irmãos, os cantores com instrumentos musicais, harpas, cítaras e címbalos, para que, elevando a sua voz, fizessem ouvir sons de alegria. Introduziram, pois, a arca de Deus e colocaram-na no centro da tenda que David tinha erguido para ela; ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão diante de Deus. Quando terminou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, David abençoou o povo em nome do Senhor. – Palavra do Senhor.
Comentário à primeira leitura
O povo tinha levado a arca pelo deserto durante a viagem do Egito para a Terra Santa. Uma vez chegados lá, colocava-se o problema de onde pôr a arca. Primeiro foi colocada numa tenda; depois foi construído o majestoso templo, que se tornou a sede definitiva da arca. Mas o que era a arca, o que representava? Era o recipiente que conservava as coisas mais sagradas: as tábuas da lei, gravadas diretamente pelo “dedo de Deus”; o bastão de Moisés, que tinha aberto o Mar Vermelho e feito brotar água da pedra; e um saco de maná, em memória do alimento que caiu do céu pela benevolência de Deus. Talvez houvesse outras coisas, mas estes três elementos bastam para compreender que não havia nada mais sagrado em Israel. O texto é proclamado hoje pela fácil referência à maternidade da Virgem Maria. Nas ladainhas lauretanas chamamo-la “Arca da aliança”, porque ela trouxe em si não as tábuas da lei, mas o próprio autor da «nova e eterna aliança», Jesus Senhor. Com que reverência deveríamos, então, pensar na Virgem Maria e relacionar-nos com ela!
SEGUNDA LEITURA
Da primeira carta de São Paulo apóstolo aos Coríntios (1Cor 15,54b-57)
Irmãos, quando este corpo mortal se revestir de imortalidade, cumprir-se-á a palavra da Escritura: «A morte foi absorvida pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?». O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. Demos graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo! – Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
Quando, no processo digestivo, se engole alguma coisa, essa matéria desce ao estômago, decompõe-se, passa para o intestino e os nutrientes são assimilados para a produção de proteínas e açúcares. Esse alimento inicial, depois de poucos minutos, já não existe, mas é transformado em algo diferente. São Paulo diz que a morte é absorvida. Isto significa que ela nos faz passar de um estado para outro e que não devemos temer a morte inevitável, mas preocupar-nos apenas em viver na graça de Deus (a verdadeira vida). A morte biológica, portanto, que foi aplicada como castigo a Adão, não tem a última palavra, não pode proclamar a sua vitória sobre a vida, porque é um simples processo de passagem. No fim, o castigo pode transformar-se em verdadeira vitória, se morrermos na graça de Deus e na sua amizade. Pensar assim na morte é consolador, uma vez que esta antecâmara necessária pode abrir-nos imediatamente a passagem para a glória de Deus. Mas cantará vitória apenas aquele que, humilde e arrependido, se aproximar do momento da passagem final levando como dote a sua fé e a sua caridade ativa.
EVANGELHO DO DIA
Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 11,27-28)
Naquele tempo, enquanto Jesus falava às multidões, uma mulher, do meio da multidão, levantou a voz e disse-lhe: «Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram!». Mas Ele respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática!». – Palavra da salvação.
Comentário ao Evangelho do dia
O louvor que a misteriosa mulher exprime subitamente, enquanto Jesus fala, é uma requintada manifestação de solidariedade feminina. Qualquer mãe gostaria de ter um filho como Jesus, tão bom, sábio, humilde e cheio de amor. Um filho perfeito honra a mãe, porque toda a mãe encontra a sua alegria no próprio filho. O louvor dirige-se, portanto, tanto ao filho como à mãe. Aquela mãe deu razão à profecia da própria Virgem Maria, que no Magnificat disse: «De hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações». Bem-aventurada, bem-aventurada, grita todo o Paraíso ao contemplar a Virgem Maria, que não guarda para si todo aquele louvor, mas o dirige ao Filho e ao plano de Deus, que quis a sua divina maternidade. Mas também todos nós estamos envolvidos nesta maravilhosa relação de amor; também nós podemos ser felizes, não no plano da maternidade (privilégio próprio de Maria Santíssima), mas no da filiação. Podemos ser verdadeiros filhos de Deus, portanto felizes, se ouvirmos e pusermos em prática. Em suma, Jesus, com esta palavra do Evangelho, declara existir uma nova família: Deus como Pai, a Virgem como mãe e todos nós como filhos, se formos dóceis e obedientes.
Missa do dia
PRIMEIRA LEITURA
Do livro do Apocalipse de São João apóstolo (Ap 11,19a;12,1-6a.10ab)
Abriu-se o templo de Deus que está no Céu e apareceu no templo a arca da sua aliança. Apareceu no Céu um grande sinal: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava grávida e gritava com as dores e as ânsias do parto. Apareceu então no Céu outro sinal: um enorme dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher, que estava para dar à luz, para lhe devorar o filho logo que nascesse. Ela deu à luz um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. O filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. Então ouvi no Céu uma voz forte que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo». – Palavra do Senhor.
Comentário à primeira leitura
À grandiosidade da visão da mulher que aparece no céu, revestida de sol e com a lua debaixo dos pés, corresponde a dramaticidade da luta. O demónio não suporta ser vencido por aquela que, ao contrário dele, acolheu o plano de Deus que queria a encarnação do Filho para a salvação do homem. A vida cristã é uma batalha, uma verdadeira luta. Devemos estar sempre vigilantes e atentos, nunca demasiado seguros de nós mesmos; devemos invocar sempre a ajuda de Deus. Para nos dar coragem, o Senhor deu-nos precisamente a Virgem Maria, assunta ao céu em corpo e alma, que combate connosco e por nós. Entre os títulos marianos com que o povo de Deus honra a Virgem, não existe apenas o de “mãe”, mas também o de “rainha”. Uma rainha participa em todas as batalhas do rei e, por vezes, toma ela própria as rédeas da guerra. Neste caso, trata-se de uma guerra espiritual contra as paixões e contra as ciladas do Maligno. A guerra já está vencida («agora chegou a salvação»), mas da nossa parte é necessária toda a humildade para reconhecermos que precisamos dela. Nas mãos da Santa Virgem, Deus colocou o selo da vitória sobre o mal.
SEGUNDA LEITURA
Da primeira carta de São Paulo apóstolo aos Coríntios (1Cor 15,20-27a)
Irmãos, Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem virá a ressurreição dos mortos. E assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida. Cada um, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; depois, à sua vinda, os que pertencem a Cristo. Depois será o fim, quando Ele entregar o reino a Deus Pai, depois de ter aniquilado todo o Principado, toda a Autoridade e todo o Poder. É necessário, na verdade, que Ele reine até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser destruído será a morte, porque Deus tudo submeteu debaixo dos seus pés. – Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
Em poucas linhas, o apóstolo Paulo esboça aquilo que será a consumação da vida do mundo. Neste tempo terreno, nós, seres humanos, somos chamados a tomar posição, a decidir se estamos com Deus ou com o demónio, se vivemos segundo o Espírito ou segundo a carne. Se somos de Deus, participamos na sua vitória; depois, no fim dos tempos, quando tudo estiver cumprido, terminará o tempo presente, este mundo será destruído e haverá apenas as duas grandes realidades do Paraíso e do Inferno. Isto ensina-nos a relativizar todas as coisas que nesta vida nos parecem tão importantes e a ter sempre diante dos olhos o caminho eterno. A verdadeira preocupação deve ser permanecer sempre em Cristo, com uma vida de fé, esperança e caridade. Nossa Senhora já realizou esta “viagem” e participa, única criatura no mundo, na vitória de Deus sobre o mal, precisamente através da assunção ao céu, isto é, mediante o dom do corpo glorificado que já está em Cristo. Em Maria contemplamos o pleno sucesso da ação de Deus, realizado sim pela graça, mas também com a plena docilidade da Virgem ao plano divino.
EVANGELHO DO DIA
Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 1,39-56)
Naqueles dias, Maria levantou-se e partiu apressadamente para a região montanhosa, para uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Logo que Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou no seu seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Feliz daquela que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor». Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade da sua serva. De hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas e santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre». Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa. – Palavra da salvação.
Comentário ao Evangelho do dia
A Virgem Maria faz uma viagem. Ela, criatura, está grávida do Deus criador; ela, amada por Deus, traz em si a causa e a fonte do amor. Caminha pressurosa por estradas solitárias e a viagem é arriscada, como pode ser perigoso o caminho de uma jovem mulher sozinha. Uma vez chegada ao destino, do coração da amada prima Isabel eleva-se uma chama do Espírito Santo, e ela reconhece em Maria a “portadora” do Senhor Jesus. Não há mais nada a dizer, não há nada mais importante a fazer. Isabel reconhece Jesus sem sequer o ver e, cheia de admiração, louva aquela que foi a primeira a acreditar. Nossa Senhora, por seu lado, eleva também a alma e o coração a Deus e exprime a sua alegria. Assim começa o Evangelho daqueles que encontram Jesus através de Maria Santíssima: a alegria, o louvor, o transbordar da admiração. Depois virão também os sacrifícios, a provação e a cruz, mas agora não há espaço senão para a alegria. Por este motivo, a Igreja quis colocar na liturgia das Vésperas a repetição, todas as noites, do cântico da Virgem: também na Igreja se renova a alegria pela encarnação divina e pela presença de Jesus entre nós, pobres pecadores.


