Textos retirados do Missalinho “Sobre a Tua Palavra” março-abril de 2022
São José, esposo da bem-aventurada Virgem Maria (s)
própria
PRIMEIRA LEITURA
Do segundo livro de Samuel (2Sm 7,4-5a.12-14a.16)
Naqueles dias, foi dirigida a Natan esta palavra do Senhor: «Vai e diz ao meu servo David: Assim fala o Senhor: “Quando os teus dias chegarem ao fim e fores repousar com os teus pais, suscitarei depois de ti um descendente, que sairá das tuas entranhas, e consolidarei o seu reino. Ele construirá uma casa ao meu nome e Eu consolidarei para sempre o trono do seu reino. Eu serei para ele um pai e ele será para Mim um filho. A tua casa e o teu reino permanecerão para sempre diante de Mim e o teu trono será firme para sempre”». – Palavra do Senhor.
Comentário à primeira leitura
A palavra “casa” é central nesta profecia de Natan. David quer construir um templo para o Senhor, um lugar onde possa guardar a arca da aliança e onde possa realizar os sacrifícios rituais e as orações. A intenção é também justa, mas Deus surpreende o rei, mandando-lhe dizer que será antes Ele, Deus, a construir uma casa para David. O Senhor promete que estará sempre presente na casa do rei e dos seus sucessores, que se prolongarão no tempo até José. No tempo de Cristo, a casa de David perdeu o seu esplendor, mas a promessa permanece válida: Deus está com José como estava com Salomão e com todos os reis seguintes, mesmo com aqueles que não estiveram à altura da sua missão. Do ponto de vista legal, portanto, Jesus herda o papel de “rei”, no sentido davídico, precisamente do humilde carpinteiro da Galileia. Agradeçamos, pois, a este extraordinário servo do Senhor, que leva com dignidade o seu título, na pobreza e no escondimento. Ele é o descendente davídico que “traz” o selo de Deus com humilde candura.
SEGUNDA LEITURA
Da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos (Rm 4,13.16-18.22)
Irmãos, não foi pela Lei que Abraão ou a sua descendência recebeu a promessa de ser herdeiro do mundo, mas pela justiça que vem da fé. É pela fé que alguém se torna herdeiro, para que seja segundo a graça e, deste modo, a promessa permaneça firme para toda a descendência: não somente para a que provém da Lei, mas também para a que provém da fé de Abraão, que é pai de todos nós – conforme está escrito: «Constituí-te pai de muitos povos» – diante de Deus em quem acreditou, Deus que dá vida aos mortos e chama à existência o que não existe. Contra toda a esperança, Abraão acreditou na esperança e assim se tornou pai de muitos povos, conforme lhe tinha sido dito: «Assim será a tua descendência». Por isso, isto foi-lhe atribuído como justiça. – Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
Na primeira leitura vimos como o título real chega ao Senhor Jesus através de José que, apesar da sua modesta condição social, pertence à casa real de David. Isto vale para a Lei. Juntamente com ela existe a fé; o Apóstolo diz-nos que nos tornamos herdeiros pela fé e não tanto pela descendência legal. O patriarca da fé é Abraão que, tendo acreditado de modo absoluto, se torna pai de todos os que dele descendem. Contemplemos, pois, no texto a fé de José, que acredita, como Abraão, em tudo o que Deus lhe pede. E pede-lhe muito: ser o guardião da santa família, apoiar em tudo a santa Virgem Maria, garantir a Jesus um crescimento saudável na sua infância e juventude. Toda a vida de José está entretecida de fé: ele não tem vontade própria que não seja, dia após dia, a vontade de Deus. Contemplemos e aprendamos do santo patriarca a ser obedientes a Deus em tudo e, como ele, alcançaremos a herança, isto é, o prémio da vida eterna. José é verdadeiro filho de Abraão, José é campeão da fé.
EVANGELHO DO DIA
Evangelho segundo São Mateus (Mt 1,16.18-21.24a)
Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. Foi assim que nasceu Jesus Cristo: sua mãe Maria, estando desposada com José, antes de terem vivido juntos, encontrou-se grávida por virtude do Espírito Santo. José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Enquanto assim pensava, eis que o Anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara. – Palavra do Senhor.
Ou
Evangelho segundo São Lucas (Lc 2,41-51a)
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele chegou aos doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Terminados esses dias, quando regressavam, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Como não O encontrassem, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, ficaram admirados e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. – Palavra do Senhor.
Comentário ao Evangelho do dia
Os dias que passam entre a constatação do estado de gravidez de Maria e a notícia do anjo de que se trata de uma gravidez por graça são, para José, dias de provação e sofrimento. Ele não duvida de modo algum da santidade da Virgem, mas, ao mesmo tempo, encontra-se diante da evidência dos factos e não sabe como proceder. “Deixá-la secretamente” significa renunciar definitivamente ao projeto do casamento, mas também não expor Nossa Senhora ao escárnio público, que poderia até levar à lapidação da mulher. Deus permite que esta dúvida dure algum tempo, o que significa que a fé, mesmo de um gigante como José, deve ser posta à prova, para crescer ainda mais, até se tornar absoluta e resplandecente. Quando este sofrimento atinge o seu auge, eis que o anjo revela a verdade, que torna José um homem feliz. Ele supera a prova, não comete qualquer ato injusto e entra assim definitivamente no projeto de Deus. Toda a vida especial deve conhecer este abandono total, que acontece precisamente na provação. O sim de José a Deus torna-se assim o sim da Igreja a Deus, o nosso sim individual no momento das provações.

