liturgia del giorno 24 giugno 2024

Editrice Shalom

Tempo di lettura: 9 min
Autore: Editrice Shalom

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Liturgia do dia: 24 de junho de 2024

Nascimento de São João Batista

Textos retirados do Missal “Sobre a Tua Palavra” maio-junho de 2024

Natividade de São João Batista (s)
própria


Na Missa vespertina da vigília

PRIMEIRA LEITURA

Do livro do profeta Jeremias (Jer 1,4-10)
Nos dias do rei Josias, foi-me dirigida esta palavra do Senhor: «Antes de te formar no seio materno, Eu te conheci; antes de saíres do ventre de tua mãe, Eu te consagrei e constituí profeta das nações». Eu respondi: «Ah! Senhor Deus! Mas eu não sei falar, porque sou muito jovem». O Senhor, porém, disse-me: «Não digas: “Sou muito jovem”. Irás ao encontro de todos aqueles a quem Eu te enviar e dirás tudo quanto Eu te ordenar. Não tenhas medo diante deles, pois Eu estou contigo para te salvar». Oráculo do Senhor. O Senhor estendeu a mão, tocou-me nos lábios e disse-me: «Eu ponho as minhas palavras na tua boca. Hoje te dou poder sobre os povos e os reinos, para arrancar e destruir, para arrasar e demolir, para edificar e plantar». – Palavra do Senhor.

Comentário à primeira leitura

É muito bela a figura do profeta Jeremias. Sacerdote, mas não entre os mais eminentes, nascido numa aldeia rural às portas de Jerusalém, chamado na juventude, arrancado a si mesmo pela “violência” de um amor divino que o escolhe «para arrancar e destruir, para arrasar e demolir, para edificar e plantar», sem família, perseguido e odiado, traído e entregue como um cordeiro manso levado ao matadouro. A vida de Jeremias é toda ela um drama; os seus diálogos interiores com Deus estão semeados de gritos de dor, mas este sofrimento purificou a sua alma e abriu-o ao contacto com o divino. Jeremias é um profeta vitalmente envolvido no seu anúncio, até nesse celibato que vive, único entre todos os profetas do Antigo Testamento. A vida do profeta é um prenúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus, em cujo sangue é selada a nova e eterna aliança. Também a nós diz o Senhor: «Antes de te formar no seio materno, Eu te conheci»: Deus ama-nos, ama-nos gratuitamente, ama-nos primeiro; o seu amor precede qualquer desejo nosso de sermos amados.


SEGUNDA LEITURA

Da primeira carta de São Pedro Apóstolo (1Pe 1,8-12)
Caríssimos, vós amais Jesus Cristo, sem O terdes visto, e agora, sem O verdes, acreditais n’Ele. Por isso exultais de alegria indizível e gloriosa, enquanto alcançais a meta da vossa fé: a salvação das almas. Foi sobre esta salvação que os profetas investigaram e perscrutaram, eles que anunciavam a graça destinada a vós; procuravam saber a que tempo e a que circunstâncias Se referia o Espírito de Cristo que neles estava, quando predizia os sofrimentos destinados a Cristo e as glórias que se seguiriam. Foi-lhes revelado que não era para si mesmos, mas para vós, que eram ministros dessas coisas que agora vos são anunciadas por aqueles que vos trouxeram o Evangelho, pelo Espírito Santo enviado do Céu: são realidades que os Anjos desejam contemplar. – Palavra do Senhor. 

Comentário à segunda leitura

A fé não tem como finalidade um conhecimento particular, mas a obtenção da salvação, aquela salvação esperada pelos antigos, investigada pelos profetas e contemplada pelos anjos, finalmente manifestada em Cristo Jesus. Pedro afirma claramente que o Antigo Testamento não oferecia a salvação que agora opera nos crentes em Cristo, embora os antigos estivessem, de certo modo, na salvação, em virtude da futura entrega de Cristo, sem, contudo, poderem experimentar o poder transformador da cruz. A geração actual – aquela que vem depois da Páscoa – é, portanto, a mais favorecida, porque a salvação lhe é anunciada como presente e operante. Há todas as razões para exultar «de alegria indizível e gloriosa» e, no entanto, muitas vezes falta-nos essa alegria. Porquê? A alegria que Deus nos oferece desaparece sempre que desviamos o olhar de Cristo para nos fixarmos nas dificuldades desta vida. Voltando as costas a Cristo, as dificuldades parecem-nos imensas e insuperáveis, enquanto os benefícios em Cristo nos parecem distantes e insignificantes. Voltemos a fixar o olhar em Cristo Jesus.


EVANGELHO DO DIA

Evangelho segundo São Lucas (Lc 1,5-17)
No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. Eram ambos justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todas as leis e preceitos do Senhor. Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e ambos eram avançados em idade. Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante do Senhor, no turno da sua classe, coube-lhe por sorte, segundo o costume do serviço sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para oferecer o incenso. Toda a assembleia do povo estava cá fora a rezar à hora do incenso. Apareceu-lhe o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. Mas o Anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida e Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. Terás alegria e felicidade, e muitos se alegrarão com o seu nascimento, porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica, será cheio do Espírito Santo desde o seio materno e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à prudência dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo com boas disposições».- Palavra do Senhor.

Comentário ao Evangelho do dia

No início do Evangelho de Lucas encontramos um casal, Zacarias e Isabel, que «eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todas as leis e preceitos do Senhor», mas o seu desejo de ter um filho não se tinha realizado. Neles reconhecemos a imagem de um povo que observa escrupulosamente todas as leis do Senhor, mas que ainda não chegou à plenitude. A antiga promessa parecia ter desaparecido definitivamente, com o passar dos anos, mas eis que Deus volta a surpreender-nos, abrindo caminho na vida destes dois esposos, já cansados de esperar, e oferece-lhes uma palavra incrível: «Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João». Não querendo reconhecer, no acontecimento que lhe sucedera, a sua dimensão de acontecimento, Zacarias fica privado do dinamismo da comunicação, permanece mudo, bloqueia, porque, por sua natureza, o acontecimento extraordinário põe-nos em movimento. Embora se encontre na casa de Deus, ele não está preparado para entrar na história de Deus; nele, a espera permanece como que sufocada. Deus, porém, não para diante da nossa incredulidade, mas leva a sua promessa à realização, com fidelidade obstinada. Louvado seja Deus!


Na Missa do dia

PRIMEIRA LEITURA

Do livro do profeta Isaías (Is 49,1-6)
Escutai-me, ó ilhas; ouvi com atenção, povos de longe. O Senhor chamou-me desde o seio materno; desde o ventre de minha mãe pronunciou o meu nome. Fez da minha boca uma espada afiada; escondeu-me à sombra da sua mão; fez de mim uma seta aguçada e guardou-me na sua aljava. Disse-me: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E eu respondi: «Foi em vão que trabalhei; inutilmente e sem proveito consumi as minhas forças. Mas a minha causa está no Senhor e a minha recompensa está no meu Deus». E agora falou o Senhor, que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, para Lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d’Ele – porque Eu tinha sido honrado aos olhos do Senhor e o meu Deus era a minha força – e disse-me: «É pouco que sejas meu servo para restaurar as tribos de Jacob e trazer de volta os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra». – Palavra do Senhor.

Comentário à primeira leitura

Esta leitura do profeta Isaías é proclamada tanto na solenidade de São João Batista como no início da Semana Santa. O servo do Senhor fala na primeira pessoa e legitima a sua missão: como o Batista e como Jesus, o servo sofredor tem uma fisionomia profética. As palavras e os gestos do Senhor Jesus e, antes d’Ele, os de João, seguem precisamente a direção profetizada por Isaías: «Fez da minha boca uma espada afiada; escondeu-me à sombra da sua mão; fez de mim uma seta aguçada e guardou-me na sua aljava». O que hoje queremos fazer, porém, é fixar a força do chamamento de Deus dirigido também a cada um de nós. Chamados pelo nome muito antes de abrirmos os olhos para a vida, tomemos consciência da dignidade e da grandeza da nossa vocação.


SEGUNDA LEITURA

Dos Actos dos Apóstolos (At 13,22-26)
Naqueles dias, [na sinagoga de Antioquia da Pisídia,] Paulo dizia: «Deus suscitou para nossos pais David como rei, a quem prestou este testemunho: “Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade”. Da sua descendência, segundo a promessa, Deus enviou a Israel um Salvador, que é Jesus. João preparou a sua vinda, pregando um baptismo de conversão a todo o povo de Israel. Quando estava a terminar a sua missão, João dizia: “Eu não sou quem pensais que sou! Mas eis que vem depois de mim Alguém, a quem não sou digno de desatar as sandálias”. Irmãos, filhos da estirpe de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada esta palavra de salvação». – Palavra do Senhor.

Comentário à segunda leitura

Paulo, no seu discurso, percorre toda a história sagrada de Israel. A palavra do Apóstolo é sempre anúncio de algo grande e inaudito que se realizou com a morte de Jesus Cristo na cruz. Agora passa a sublinhar o papel de precursor e testemunha de João Batista que, pregando um baptismo de penitência, tinha preparado a vinda de Jesus. Impressionam a grande humildade e a liberdade interior do precursor, que não teme dizer abertamente: «Eu não sou quem pensais que sou!». Dirá também que é apenas a voz, para não ser confundido com o Verbo, e que é o amigo do esposo, que se alegra com as núpcias do cordeiro. Somos assim ajudados a libertar-nos de todas as possíveis expectativas e juízos dos outros, para viver com alegria a realidade daquilo que somos e daquilo que seremos pela graça de Deus. Que João Batista nos ajude a libertar-nos de todos aqueles possíveis condicionamentos que pesam, também dolorosamente, sobre o nosso caminho humano, a fim de recuperarmos aquela confiança em nós próprios, necessária para atravessar em paz todas as fases da vida.


EVANGELHO DO DIA

Evangelho segundo São Lucas (Lc 1,57-66.80)
Entretanto, chegou a Isabel o tempo de dar à luz e teve um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha mostrado a sua grande misericórdia e congratulavam-se com ela. Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas a mãe interveio: «Não, ele vai chamar-se João». Disseram-lhe: «Não há ninguém na tua família que tenha esse nome». Perguntaram então, por sinais, ao pai como queria que ele se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: «João é o seu nome». Todos ficaram admirados. Nesse instante abriu-se-lhe a boca, soltou-se-lhe a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. Todos os seus vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgava este acontecimento. Quantos o ouviam guardavam-no em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?». E, na verdade, a mão do Senhor estava com ele. O menino crescia e fortalecia-se em espírito. E foi viver para o deserto até ao dia da sua manifestação a Israel. – Palavra do Senhor.

Comentário ao Evangelho do dia

Não havia ninguém na família que se chamasse João. Há uma novidade absoluta – dom total de Deus – que irrompe na história, documentada também pelo nome dado àquele menino, nascido de uma mãe estéril e de um pai avançado em idade: verdadeiramente, Deus concede a graça ao seu povo. Com o nascimento de João começa o cumprimento de todas as antigas profecias referentes ao Messias. No momento da circuncisão, assistimos a uma certa tensão entre os que querem dar-lhe o nome do pai, Zacarias, e a mãe, que insiste para que seja chamado João. A diferença não é assim tão marginal, pois Zacarias significa “Deus recorda”, enquanto João significa “Deus usa de misericórdia”. Se o nome do pai é como um dedo apontado para o passado, isto é, para a história da salvação realizada por Deus ao longo da história, o novo nome de João lança luz sobre o presente, onde nasce um novo sol que ilumina aqueles que estão nas trevas e na sombra da morte. Se muitas vezes nos ocorreu pensar que a nossa vida é drasticamente marcada pelas suas origens, o Evangelho de hoje parece dizer-nos, pelo contrário, que cada vida brota do amor do Pai e é determinada sobretudo pelo seu projecto de amor. 

Assinatura do Missal
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