Textos retirados de “Messalino – Sulla Tua Parola”, bimestre novembro-dezembro de 2020.
Imaculada Conceição da bem-aventurada Virgem Maria (s)
própria
PRIMEIRA LEITURA
Do livro do Génesis (Gn 3,9-15.20)
[Depois de o homem ter comido o fruto da árvore,] o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». Respondeu: «Ouvi a tua voz no jardim: tive medo, porque estou nu, e escondi-me». Retomou: «Quem te disse que estás nu? Terás comido da árvore, da qual te ordenei que não comesses?». O homem respondeu: «A mulher que puseste junto de mim deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor Deus disse à mulher: «Que fizeste?». A mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». Então o Senhor Deus disse à serpente: «Por teres feito isto, serás maldita entre todo o gado e entre todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela: esta há de atingir-te a cabeça e tu hás de atingir-lhe o calcanhar». O homem deu à sua mulher o nome de Eva, porque ela foi a mãe de todos os viventes. – Palavra do Senhor.
Comentário à primeira leitura
Para compreendermos a leitura de hoje, temos de recuar alguns passos: os primeiros capítulos do livro do Génesis narram como Deus colocou o homem e a mulher como ápice de toda a criação; pensou a mulher como companheira de vida para um homem que, nem sequer rodeado de plantas e animais, conseguia vencer a solidão, porque precisava de «uma ajuda que lhe correspondesse» (cf. Gn 2,18). Nesta cena insinua-se a serpente, com palavras que levam o homem a duvidar da verdadeira bondade de Deus. Afinal, o verdadeiro pecado é precisamente este. Se, pelo contrário, olharmos com olhos mais atentos e disponíveis para o Amor infinito, encontramos um Deus que não se cansa - nem sequer hoje - de nos perguntar com carinho: «Onde estás?». Ele continua a ocupar-se e a preocupar-se connosco, apesar das nossas traições, das nossas fugas, do nosso escondermo-nos. É importante notar, além disso, que a “cadeia de transferência” das responsabilidades começa com Adão, passa por Eva, mas acaba por se transformar em maldição apenas para a serpente. Uma leitura atenta permite-nos descobrir que, sobretudo, é a mulher que sai vencedora: «Esta há de atingir-te a cabeça». Tudo isto se realiza plenamente apenas em Maria Santíssima.
SEGUNDA LEITURA
Da Epístola de São Paulo aos Efésios (Ef 1,3-6.11-12)
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. Em Cristo, Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, para louvor da sua graça gloriosa, que Ele nos concedeu no seu Filho muito amado. Em Cristo fomos também constituídos herdeiros, predestinados, conforme os desígnios d’Aquele que tudo realiza segundo a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós, que desde o princípio pusemos a nossa esperança em Cristo. – Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
Na primeira leitura encontramos esta passagem: «O Senhor Deus disse à serpente: “Por teres feito isto, serás maldita entre todo o gado e entre todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida”». O tom, solene e delicadíssimo ao mesmo tempo, da orquestra divina que abre a segunda leitura traz-nos, pelo contrário, - sem sombra de dúvida ou ambiguidade - uma mensagem de «bênção». A serpente, a rebelde perpétua, aquela que se coloca constante e voluntariamente fora do amor de Deus, é a única que se amaldiçoa a si mesma: fala mal de todos, da árvore, de Deus, da humanidade, e paga as consequências. Na segunda leitura, na qual São Paulo fala na perspectiva de Cristo, tudo é diferente. Pela vontade de Deus, já somos (ainda que não em plenitude) «santos e irrepreensíveis». Então, celebrar com tanta alegria a solenidade da Imaculada Conceição da bem-aventurada Virgem Maria significa celebrar a Mãe de Jesus, mas, antes de tudo, glorificar o bom Deus que nos precede a todos nas boas obras: o seu é um amor que chega antecipadamente.
EVANGELHO DO DIA
Do Evangelho segundo São Lucas (Lc 1,26-38)
Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem da casa de David, chamado José. O nome da virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse: «Avé, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril, porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo retirou-se de junto dela. – Palavra do Senhor.
Comentário ao Evangelho do dia
Embora o pecado, as doenças e as guerras pareçam aumentar cada vez mais depois do engano da serpente, Deus não deixa de ser o Deus bom e justo, cheio de uma fantasia de amor que ultrapassa todos os limites humanos. Assim, “inventa” Maria, uma mulher que possa ser a Mãe daquele Salvador que virá varrer o frágil castelo de cartas construído pelo inimigo. O dia 8 de dezembro de 1854 foi fundamental para a fé católica, pois, com o apoio da grande maioria dos bispos, o Papa Pio IX proclamou precisamente a verdade que hoje nos é proposta para acreditar e viver: «A Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua conceição, por uma graça e privilégio singular de Deus omnipotente, em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda a mancha do pecado original». Precisamente para poder ser verdadeiramente Mãe de Jesus, Mãe de Deus, Maria nunca conheceu de modo algum nem o pecado original (a sedução da serpente na qual Adão e Eva caíram), nem os pequenos ou grandes pecados que acompanham a existência de nós, homens e mulheres. Deixemo-nos, portanto, transfigurar pelo amor de Deus em Maria.

