Textos retirados do Missal “Sobre a Tua Palavra” março-abril de 2024
Domingo de Ramos: Paixão do Senhor (B)
2.ª sem. salt.
PRIMEIRA LEITURA
Do livro do profeta Isaías (Is 50,4-7)
O Senhor Deus deu-me uma língua de discípulo, para que eu saiba dirigir uma palavra ao desanimado. Todas as manhãs desperta o meu ouvido, para que eu escute como os discípulos. O Senhor Deus abriu-me o ouvido e eu não resisti, não recuei. Apresentei as minhas costas aos que me flagelavam, as minhas faces aos que me arrancavam a barba; não escondi o rosto aos insultos e às cuspidelas. O Senhor Deus vem em meu auxílio; por isso não fico envergonhado, por isso endureço o meu rosto como uma pedra, sabendo que não ficarei confundido. – Palavra do Senhor.
Comentário à primeira leitura
Ao entrar na Semana Santa, a Igreja faz-nos ler as passagens do profeta Isaías relativas à Paixão do Senhor. Neste texto, o Servo de Javé, figura do futuro Messias, é instruído por Deus para poder falar claramente e transmitir perfeitamente a Palavra divina, a fim de confortar os desanimados. Mas esta palavra provoca imediatamente uma reação por parte daqueles que não tencionam converter-se e preferem permanecer nas trevas. O profeta sabe que a sua ação provocará a conversão dos corações, mas também que atrairá sobre si a ira dos inimigos, que procurarão silenciá-lo de todas as maneiras, recorrendo inclusivamente à violência física. Foi precisamente o que aconteceu ao Senhor Jesus. Quando há uma pessoa boa e mansa que diz a verdade, é fácil que os arrogantes e orgulhosos se lancem contra ela para a fazer calar. O mal não suporta o bem e quer silenciá-lo. Enquanto ninguém diz nada, o ambiente é tranquilo; mas, quando é proclamada a verdade da fé em Cristo, eis que logo aparece alguém que quer impedir-nos de falar e de dar testemunho.
SEGUNDA LEITURA
Da carta de São Paulo apóstolo aos Filipenses (Fl 2,6-11)
Cristo Jesus, sendo de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si próprio, assumindo a condição de servo, tornando-se semelhante aos homens. Apresentando-se como homem, humilhou-se a si próprio, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso, Deus exaltou-o e deu-lhe o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre nos céus, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame: «Jesus Cristo é o Senhor!», para glória de Deus Pai. - Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
Esta passagem do apóstolo Paulo explica em poucas palavras toda a Paixão do Senhor e é justo que seja lida neste Domingo de Ramos. Deus decide “descer” à natureza humana para reconduzir o homem à intimidade com o Pai. A segunda Pessoa da Santíssima Trindade, da posição em que se encontrava, não podia subir mais alto. Moveu-se e desceu. Desceu ao seio da Virgem Maria. Depois desceu à gruta de Belém. Durante o tempo da missão pública, desceu ao rio Jordão para ser batizado. No auge da sua prova, desceu à morte humana e quis conhecer a pena mais grave devida ao pecado de Adão, a morte, e morte de cruz. Por fim, desceu aos Infernos para libertar as almas dos justos que aguardavam. Uma vez tocado esse fundo, voltou imediatamente a subir, levando tudo de novo ao seio do Pai, salvo e renovado graças ao seu sacrifício. Aquilo que foi próprio de Cristo acontece, de modo análogo, também connosco: desce-se ao fundo da própria existência, na humildade, acolhe-se a vida divina e, com ela, sobe-se para viver em Deus, participando na sua vitória.
EVANGELHO DO DIA
(Indicações para a leitura dialogada: ✠ = Jesus; C = Cronista; D = Discípulos e amigos; F = Multidão; A= Outras personagens).
C Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 14,1 – 15,47)
Procuravam uma maneira de se apoderarem dele para o matar
C Faltavam dois dias para a Páscoa e os Ázimos, e os chefes dos sacerdotes e os escribas procuravam uma maneira de capturar Jesus com um ardil para o fazer morrer. Diziam, de facto: A «Não durante a festa, para que não haja uma revolta do povo».
Entreguei antecipadamente o meu corpo para a sepultura
C Jesus encontrava-se em Betânia, em casa de Simão, o leproso. Enquanto estava à mesa, chegou uma mulher com um vaso de alabastro cheio de perfume de nardo puro, de grande valor. Partiu o vaso de alabastro e derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus. Houve alguns que se indignaram entre si: A «Para que foi este desperdício de perfume? Podia vender-se por mais de trezentos denários e dar o dinheiro aos pobres!». C E estavam furiosos contra ela. Mas Jesus disse: ✠ «Deixai-a; porque a incomodais? Praticou uma boa ação para comigo. Os pobres, na verdade, sempre os tendes convosco e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes, mas a mim nem sempre me tendes. Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu antecipadamente o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo: onde quer que o Evangelho seja proclamado, por todo o mundo, há de contar-se também, em sua memória, o que ela fez».
Prometeram dar dinheiro a Judas Iscariotes
C Então Judas Iscariotes, um dos Doze, foi ter com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Ao ouvi-lo, eles alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava uma ocasião oportuna para o entregar.
Onde é a minha sala, em que possa comer a Páscoa com os meus discípulos?
No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava a Páscoa, os seus discípulos perguntaram-lhe: D «Onde queres que vamos preparar, para que possas comer a Páscoa?». C Então enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: ✠ «Ide à cidade e virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água; segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: “O Mestre pergunta: Onde é a minha sala, em que possa comer a Páscoa com os meus discípulos?”. Ele mostrar-vos-á, no andar superior, uma grande sala mobilada e já preparada; preparai aí a ceia para nós». C Os discípulos partiram e, entrando na cidade, encontraram tudo como lhes tinha dito e prepararam a Páscoa.
Um de vós, aquele que come comigo, há de me trair
Ao cair da tarde, chegou com os Doze. Enquanto estavam à mesa e comiam, Jesus disse: ✠ «Em verdade vos digo: um de vós, aquele que come comigo, há de me trair». C Começaram a entristecer-se e a perguntar-lhe, um após outro: D «Serei eu?». C Ele disse-lhes: ✠ «É um dos Doze, aquele que põe comigo a mão no prato. O Filho do Homem parte, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Melhor seria para esse homem não ter nascido!».
Este é o meu corpo. Este é o meu sangue da aliança
C E, enquanto comiam, tomou o pão e recitou a bênção, partiu-o e deu-lho, dizendo: ✠ «Tomai: isto é o meu corpo». C Depois tomou um cálice e deu graças, entregou-lho, e todos beberam dele. E disse-lhes: ✠ «Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos. Em verdade vos digo que nunca mais beberei do fruto da videira, até ao dia em que o beba novo, no reino de Deus».
Antes de o galo cantar duas vezes, três vezes me negarás
C Depois de cantarem o hino, saíram em direção ao monte das Oliveiras. Jesus disse-lhes: ✠ «Todos ficareis escandalizados, porque está escrito: “Ferirei o pastor e as ovelhas serão dispersas”. Mas, depois de Eu ressuscitar, irei à vossa frente para a Galileia». C Pedro disse-lhe: D «Ainda que todos fiquem escandalizados, eu não!». C Jesus disse-lhe: ✠ «Em verdade te digo: tu mesmo, hoje, esta noite, antes de o galo cantar duas vezes, três vezes me negarás». C Mas ele insistia com grande veemência: D «Ainda que tivesse de morrer contigo, não te negaria». C E o mesmo diziam também todos os outros.
Começou a sentir medo e angústia
Chegaram a uma propriedade chamada Getsémani, e ele disse aos seus discípulos: ✠ «Sentai-vos aqui, enquanto eu rezo». C Levou consigo Pedro, Tiago e João e começou a sentir medo e angústia. Disse-lhes: ✠ «A minha alma está triste até à morte. Ficai aqui e vigiai». C Depois, avançando um pouco, caiu por terra e rezava para que, se fosse possível, aquela hora se afastasse dele. E dizia: ✠ «Abbá! Pai! Tudo te é possível: afasta de mim este cálice! Porém, não seja o que eu quero, mas o que tu queres». C Depois voltou, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: ✠ «Simão, estás a dormir? Não foste capaz de vigiar uma só hora? Vigiai e rezai, para não entrardes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca». C Afastou-se de novo e rezou, dizendo as mesmas palavras. Depois voltou novamente e encontrou-os a dormir, porque os seus olhos estavam pesados, e não sabiam o que lhe responder. Voltou uma terceira vez e disse-lhes: ✠ «Dormi e descansai! Basta! Chegou a hora: eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que se aproxima aquele que me trai».
Prendei-o e levai-o daqui sob boa escolta
C E imediatamente, enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão com espadas e varapaus, enviada pelos chefes dos sacerdotes, pelos escribas e pelos anciãos. O traidor tinha-lhes dado um sinal combinado, dizendo: D «Aquele que eu beijar, é ele; prendei-o e levai-o bem guardado». C Logo que chegou, aproximou-se dele e disse: D «Rabi» C e beijou-o. Então eles deitaram-lhe as mãos e prenderam-no. Um dos presentes puxou da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha. Então Jesus disse-lhes: ✠ «Como se eu fosse um salteador, viestes prender-me com espadas e varapaus. Todos os dias estava no meio de vós, no templo, a ensinar, e não me prendestes. Mas é para se cumprirem as Escrituras!». C Então todos o abandonaram e fugiram. Um rapaz, porém, seguia-o, coberto apenas com um lençol, e agarraram-no. Mas ele, deixando cair o lençol, fugiu nu.
És tu o Cristo, o Filho do Bendito?
Levaram Jesus ao sumo sacerdote, e aí reuniram-se todos os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas. Pedro tinha-o seguido de longe, até dentro do pátio do palácio do sumo sacerdote, e estava sentado entre os servos, aquecendo-se junto ao fogo. Os chefes dos sacerdotes e todo o sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para o condenar à morte, mas não o encontravam. Com efeito, muitos testemunhavam falsamente contra ele, mas os seus testemunhos não eram concordantes. Alguns levantaram-se para testemunhar falsamente contra ele, dizendo: A «Nós ouvimo-lo dizer: “Eu destruirei este templo, feito por mãos humanas, e em três dias construirei outro, não feito por mãos humanas”». C Mas nem assim o seu testemunho era concordante. O sumo sacerdote, levantando-se no meio da assembleia, interrogou Jesus, dizendo: A «Não respondes nada? Que testemunho prestam estes contra ti?». C Mas ele permanecia em silêncio e nada respondia. De novo o sumo sacerdote o interrogou, dizendo-lhe: A «És tu o Cristo, o Filho do Bendito?». C Jesus respondeu: ✠ «Eu sou! E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vindo sobre as nuvens do céu». C Então o sumo sacerdote, rasgando as vestes, disse: A «Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfémia; que vos parece?». C Todos sentenciaram que era réu de morte. Alguns começaram a cuspir-lhe em cima, a vendar-lhe o rosto, a bater-lhe e a dizer-lhe: F «Profetiza!». C E os servos esbofeteavam-no.
Não conheço este homem de quem falais
Enquanto Pedro estava em baixo, no pátio, veio uma das jovens criadas do sumo sacerdote e, vendo Pedro a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe: A «Também tu estavas com o Nazareno, com Jesus». C Mas ele negou, dizendo: D «Não sei nem compreendo o que dizes». C Depois saiu para fora, em direção à entrada, e um galo cantou. E a criada, ao vê-lo, começou novamente a dizer aos presentes: A «Este é um deles». C Mas ele negava novamente. Pouco depois, os presentes diziam novamente a Pedro: A «É verdade, tu és certamente um deles; de facto, és galileu». C Mas ele começou a praguejar e a jurar: D «Não conheço esse homem de quem falais». C E imediatamente, pela segunda vez, um galo cantou. E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: «Antes de o galo cantar duas vezes, três vezes me negarás». E desatou a chorar.
Quereis que vos liberte o rei dos Judeus?
E imediatamente, [de manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os escribas e todo o sinédrio, depois de terem deliberado, algemaram Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos. Pilatos perguntou-lhe: A «Tu és o rei dos Judeus?». C E ele respondeu: ✠ «Tu o dizes». C Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas. Pilatos interrogou-o novamente, dizendo: A «Não respondes nada? Vê de quantas coisas te acusam!». C Mas Jesus não respondeu mais nada, de tal modo que Pilatos ficou admirado. Em cada festa, costumava libertar-lhes um preso, a pedido deles. Havia um homem, chamado Barrabás, preso juntamente com os revoltosos que, durante a revolta, tinham cometido um homicídio. A multidão, que se tinha reunido, começou a pedir aquilo que ele costumava conceder. Pilatos respondeu-lhes: A «Quereis que vos liberte o rei dos Judeus?». C Com efeito, sabia que os sumos sacerdotes lho tinham entregado por inveja. Mas os sumos sacerdotes incitaram a multidão para que, pelo contrário, lhes libertasse Barrabás. Pilatos disse-lhes novamente: A «Que quereis, então, que eu faça daquele a quem chamais rei dos Judeus?». C E eles gritaram novamente: F «Crucifica-o!». C Pilatos dizia-lhes: A «Que mal fez ele?». C Mas eles gritaram ainda mais alto: F «Crucifica-o!». C Pilatos, querendo satisfazer a multidão, libertou-lhes Barrabás e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado.
Entrelaçaram uma coroa de espinhos e colocaram-lha à volta da cabeça
Então os soldados conduziram-no para dentro do pátio, isto é, para o pretório, e convocaram toda a coorte. Vestiram-no de púrpura, entrelaçaram uma coroa de espinhos e colocaram-lha à volta da cabeça. Depois começaram a saudá-lo: F «Salve, rei dos Judeus!». C E batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-lhe em cima e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. Depois de troçarem dele, despiram-lhe a púrpura e fizeram-no vestir as suas vestes; depois conduziram-no para fora, a fim de o crucificarem.
Conduziram Jesus ao lugar do Gólgota
Obrigaram um homem que passava, um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a levar a sua cruz. Conduziram Jesus ao lugar do Gólgota, que significa «Lugar da Caveira», e davam-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.
Com ele crucificaram também dois ladrões
Depois crucificaram-no e dividiram as suas vestes, tirando à sorte o que cada um havia de levar. Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. A inscrição com o motivo da sua condenação dizia: «O rei dos Judeus». Com ele crucificaram também dois ladrões, um à direita e outro à sua esquerda.
Salvou outros e não pode salvar-se a si mesmo!
Os que passavam por ali insultavam-no, abanando a cabeça e dizendo: F «Eh, tu que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!». C Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os escribas, troçavam dele entre si e diziam: A «Salvou outros e não pode salvar-se a si mesmo! O Cristo, o rei de Israel, desça agora da cruz, para vermos e acreditarmos!». C E também os que tinham sido crucificados com ele o insultavam.
Jesus, soltando um forte brado, expirou
Ao meio-dia, fez-se trevas sobre toda a terra até às três da tarde. Às três, Jesus bradou em alta voz: ✠ «Eloí, Eloí, lemá sabactâni?», C que significa: ✠ «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?». C Ao ouvirem isto, alguns dos presentes diziam: A «Eis que chama Elias!». C Então alguém correu a embeber uma esponja em vinagre, fixou-a numa cana e dava-lhe de beber, dizendo: A «Esperai, vejamos se Elias vem para o fazer descer». C Mas Jesus, soltando um forte brado, expirou.
([Aqui ajoelhamo-nos e fazemos uma breve pausa])
O véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. O centurião, que estava diante d’Ele, ao vê-l’O expirar daquela maneira, disse: A «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!».] C Havia também algumas mulheres, que observavam de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé, que, quando Ele estava na Galileia, O seguiam e serviam, e muitas outras que tinham subido com Ele a Jerusalém.
José rolou uma pedra para a entrada do sepulcro
Ao cair da tarde, como era a Preparação, isto é, a véspera do sábado, José de Arimateia, membro ilustre do sinédrio, que também esperava o reino de Deus, foi corajosamente ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos admirou-se de que já estivesse morto e, chamando o centurião, perguntou-lhe se já tinha morrido há algum tempo. Informado pelo centurião, concedeu o cadáver a José. Este comprou um lençol, desceu-O da cruz, envolveu-O no lençol e colocou-O num sepulcro escavado na rocha. Depois rolou uma pedra para a entrada do sepulcro. Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde Ele era colocado. – Palavra do Senhor.
Comentário ao Evangelho do dia
O relato da Paixão é lido integralmente, na Missa, apenas em duas ocasiões: na Sexta-feira Santa e no Domingo de Ramos. A leitura de hoje serve para nos introduzir no tempo mais santo do ano, a “semana” por excelência, na qual tudo é adoração e meditação do que Deus fez por nós. Começa assim solenemente, na liturgia, a Paixão. Não há palavras de comentário, nada se pode acrescentar: só podemos calar, adorar e trazer para as nossas almas cada um dos acontecimentos da Paixão, batendo no peito em sinal de contrição. Se a Paixão foi vivida por Jesus com amor e por amor, do mesmo modo devemos fazer também nós: amar Cristo com plenitude de sentimentos e inteligência, sabendo que, se nos salvamos, o devemos precisamente ao que o Senhor fez por nós nas horas terríveis da Paixão. Jesus pede para ser amado. Entremos na Semana Santa com este sentimento, pondo de parte tudo o resto. É a semana do amor de Deus por nós e nós estamos lá. É o acontecimento da nossa vida, porque a Paixão não acontece sem nós. Entremos neste tempo e fixemos aqui os nossos corações. Que nada mais nos atraia nestes sete dias.


