Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (B)
2.ª sem. salt.
Textos retirados do Missalito «Sobre a Tua Palavra», março-abril de 2021.
O Domingo de Ramos ou da Paixão do Senhor assinala o início solene da Semana Santa, na qual celebraremos os últimos dias da vida terrena de Jesus até à sua ressurreição. Dois são os símbolos deste domingo: os ramos e a cruz. Estão estreitamente ligados entre si, pois indicam a mesma coisa: a vida oferecida, a salvação e a ressurreição. O Evangelho do Domingo de Ramos propõe-nos a leitura dialogada do relato da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Marcos; a recordação deste acontecimento central para a nossa fé merece toda a nossa atenção e torna-se uma ocasião propícia para renovar o propósito e o compromisso de termos os mesmos sentimentos de Cristo Jesus.
PRIMEIRA LEITURA
Do livro do profeta Isaías (Is 50,4-7)
O Senhor Deus deu-me uma língua de discípulo, para que eu saiba dirigir uma palavra ao desanimado. Todas as manhãs desperta os meus ouvidos, para que eu escute como os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti, não recuei. Apresentei as costas aos que me batiam e as faces aos que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos insultos e dos escarros. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio; por isso não fiquei envergonhado; por isso tornei o meu rosto duro como pedra, sabendo que não ficaria confundido. – Palavra de Deus.
Comentário à primeira leitura
A palavra de Deus de hoje, Domingo de Ramos, introduz-nos numa aparente contradição: como é possível dirigir uma palavra ao desanimado, se nós próprios somos açoitados? A chave está na belíssima expressão: «O Senhor Deus veio em meu auxílio». São Paulo dirá: «Se Deus está por nós, quem estará contra nós?». Se estamos verdadeiramente seguros de que Deus está ao nosso lado, se Lhe permitimos permanecer aí, a nossa existência transforma-se totalmente. Desaparecem os medos inúteis e a única preocupação é sermos fiéis à vontade de Deus, até à cruz… e à ressurreição. É também interessante sublinhar que a verdadeira língua que converte, que Deus pode tornar «sua», não é a do mestre ou do sábio, mas a do discípulo, aquele que se coloca numa profunda atitude de acolhimento e escuta. Dando mais um passo no aprofundamento, São Francisco de Sales dizia que «a boca fala apenas aos ouvidos, mas o coração fala ao coração».
SEGUNDA LEITURA
Da Epístola de São Paulo apóstolo aos Filipenses (Fl 2,6-11)
Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio, assumindo a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos os joelhos se dobrem, no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame: «Jesus Cristo é o Senhor!», para glória de Deus Pai. – Palavra de Deus.
Comentário à segunda leitura
Todos sentimos profundamente a necessidade de reconhecimento; mas baseamos as nossas escolhas naqueles que são passageiros, efémeros (duram apenas um dia e depois desaparecem), ou tentamos perguntar-nos, tanto nos momentos decisivos da nossa vida como nas pequenas escolhas que fazemos diariamente: «Jesus, o que pensa desta minha escolha? O que faria Jesus se estivesse no meu lugar?». O Domingo de Ramos recorda-nos que a kenosis (abaixamento) de Deus não é uma derrota, mas o seu modo de amar e de Se colocar ao serviço. Antes de mais, no interior da própria Trindade, e depois em relação a nós, seres humanos. O que nos permite entrar na mesma sintonia de Jesus, em ressonância com Deus, é precisamente a obediência: ela não é uma prerrogativa dos consagrados, mas pertence a cada discípulo de Cristo. O que significa, para um marido, obedecer à esposa? E, para uma esposa, o que representa a docilidade a Deus através da escuta do marido? Pode haver pais obedientes? E filhos dóceis e disponíveis (para além das banalidades e dos lugares-comuns)? Além disso, os dons que recebemos, precisamente por serem dons gratuitos para os quais apenas colaborámos, implicam uma dimensão de serviço.
EVANGELHO DO DIA
(Indicações para a leitura dialogada: ✠ = Jesus; C = Cronista; D = Discípulos e amigos; F = Multidão; A = Outras personagens).
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 14,1 – 15,47)
Procuravam uma maneira de O prender para O matar
C Faltavam dois dias para a Páscoa e para a Festa dos Ázimos, e os sumos sacerdotes e os escribas procuravam uma maneira de prender Jesus à traição, para O matar. Diziam, com efeito: A «Durante a festa não, para que não haja uma revolta do povo».
Ungiu antecipadamente o meu corpo para a sepultura
C Jesus encontrava-Se em Betânia, em casa de Simão, o leproso. Enquanto estava à mesa, chegou uma mulher com um vaso de alabastro cheio de perfume de nardo puro, de grande valor. Partiu o vaso de alabastro e derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus. Alguns indignaram-se e diziam entre si: A «Para que foi esse desperdício de perfume? Podia vender-se por mais de trezentos denários e dar o dinheiro aos pobres». C E irritavam-se contra ela. Mas Jesus disse: ✠ «Deixai-a. Porque estais a incomodá-la? Fez uma boa ação para comigo. Pobres, sempre os tereis convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem. A Mim, porém, nem sempre Me tereis. Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu antecipadamente o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo: em qualquer parte do mundo onde o Evangelho for proclamado, há de contar-se também, em sua memória, o que ela fez».
Prometeram dar dinheiro a Judas Iscariotes
C Então Judas Iscariotes, um dos Doze, foi ter com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Quando o ouviram, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E Judas procurava uma oportunidade para O entregar.
Onde está a sala em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?
C No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram-Lhe: D «Onde queres que vamos preparar o necessário para comeres a Páscoa?». C Jesus enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes: ✠ «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: “O Mestre pergunta: Onde está a sala em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?”. Ele mostrar-vos-á uma grande sala no andar superior, mobilada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». C Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa.
Um de vós, que come comigo, há de entregar-Me
C Ao cair da tarde, Jesus chegou com os Doze. Enquanto estavam à mesa e comiam, Jesus disse: ✠ «Em verdade vos digo: um de vós, que come comigo, há de entregar-Me». C Eles começaram a entristecer-se e a perguntar-Lhe, um após outro: D «Serei eu?». C Jesus respondeu-lhes: ✠ «É um dos Doze, que mete comigo a mão no prato. O Filho do homem vai partir, como está escrito acerca d’Ele; mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido!».
Este é o meu corpo. Este é o meu sangue da aliança
C Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o; depois deu-o aos discípulos e disse: ✠ «Tomai: isto é o meu corpo». C Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. Disse Jesus: ✠ «Este é o meu sangue da aliança, derramado pela multidão dos homens. Em verdade vos digo: não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus».
Antes de o galo cantar duas vezes, tu Me negarás três vezes
C Depois de cantarem os salmos, saíram para o monte das Oliveiras. Jesus disse-lhes: ✠ «Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: “Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas”. Mas, depois de ressuscitar, hei de preceder-vos a caminho da Galileia». C Pedro respondeu-Lhe: D «Embora todos se escandalizem, eu não». C Jesus disse-lhe: ✠ «Em verdade te digo: hoje, esta mesma noite, antes de o galo cantar duas vezes, tu Me negarás três vezes». C Pedro insistia: D «Ainda que tenha de morrer contigo, eu não Te negarei». C E todos afirmaram o mesmo.
Começou a sentir pavor e angústia
C Chegaram a uma propriedade chamada Getsémani, e Jesus disse aos seus discípulos: ✠ «Ficai aqui, enquanto Eu vou rezar». C Tomou consigo Pedro, Tiago e João e começou a sentir pavor e angústia. Disse-lhes: ✠ «A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai». C Adiantando-Se um pouco, caiu por terra e pediu a Deus que, se fosse possível, afastasse d’Ele aquela hora. E dizia: ✠ «Abbá, Pai, tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres». C Depois foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: ✠ «Simão, estás a dormir? Não pudeste vigiar uma hora? Vigiai e orai, para não entrardes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca». C Afastou-Se de novo e orou, repetindo as mesmas palavras. Voltou novamente e encontrou-os a dormir, porque tinham os olhos pesados, e não sabiam que Lhe haviam de responder. Jesus voltou pela terceira vez e disse-lhes: ✠ «Dormi agora e descansai. Chegou a hora: o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos. Já se aproxima aquele que Me vai entregar».
Prendei-O e levai-O bem guardado
C Ainda Jesus estava a falar, quando chegou Judas, um dos Doze, acompanhado por um grupo de homens armados de espadas e varapaus, enviados pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos. O traidor tinha-lhes dado este sinal combinado: D «Aquele que eu beijar é esse mesmo: prendei-O e levai-O bem guardado». C Assim que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo: D «Mestre». C Então os homens lançaram-Lhe as mãos e prenderam-n’O. Um dos presentes puxou da espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe uma orelha. Jesus tomou a palavra e disse-lhes: ✠ «Viestes com espadas e varapaus para Me prender, como se Eu fosse um salteador. Todos os dias Eu estava no meio de vós, a ensinar no templo, e não Me prendestes. Mas é para se cumprirem as Escrituras». C Então todos O abandonaram e fugiram. Um jovem, que O seguia coberto apenas com um lençol, foi agarrado; mas, largando o lençol, fugiu nu.
És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?
C Levaram Jesus à presença do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os sumos sacerdotes, anciãos e escribas. Pedro seguira Jesus de longe, até ao interior do palácio do sumo sacerdote, e estava sentado com os guardas, aquecendo-se ao fogo. Entretanto, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para O condenarem à morte, mas não o encontravam. Muitos testemunhavam falsamente contra Ele, mas os depoimentos não eram concordes. Alguns levantaram-se e proferiram contra Ele este falso testemunho: A «Nós ouvimo-l’O dizer: “Vou destruir este templo feito pelos homens e em três dias construirei outro que não será feito pelos homens”». C Mas nem assim os depoimentos eram concordes. Então o sumo sacerdote levantou-se no meio da assembleia e perguntou a Jesus: A «Não respondes nada ao que eles dizem contra Ti?». C Mas Jesus continuava calado e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a interrogá-l’O: A «És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?». C Jesus respondeu: ✠ «Eu sou. E vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-Poderoso, vindo sobre as nuvens do céu». C O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse: A «Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?». C E todos sentenciaram que Jesus era réu de morte. Depois, alguns começaram a cuspir-Lhe no rosto; taparam-Lhe os olhos e davam-Lhe punhadas, dizendo: F «Adivinha!». C E os guardas davam-Lhe bofetadas.
Não conheço esse homem de quem falais
C Enquanto Pedro estava em baixo, no pátio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote. Ao vê-lo a aquecer-se, fitou-o e disse-lhe: A «Tu também estavas com Jesus, o Nazareno». C Mas Pedro negou: D «Não sei nem entendo o que dizes». C Depois saiu para o vestíbulo e o galo cantou. A criada, vendo-o, começou de novo a dizer aos presentes: A «Este é um deles». C Mas ele negou novamente. Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro: A «Na verdade, tu és um deles, pois também és galileu». C Pedro começou então a praguejar e a jurar: D «Não conheço esse homem de quem falais». C E imediatamente o galo cantou pela segunda vez. Pedro lembrou-se então da palavra que Jesus lhe tinha dito: «Antes de o galo cantar duas vezes, tu Me negarás três vezes». E desatou a chorar.
Quereis que vos solte o rei dos Judeus?
C Logo de manhã, os sumos sacerdotes reuniram-se em conselho com os anciãos e os escribas e todo o Sinédrio. Depois de manietarem Jesus, levaram-n’O e entregaram-n’O a Pilatos. Pilatos perguntou-Lhe: A «És Tu o rei dos Judeus?». C Jesus respondeu: ✠ «É como dizes». C E os sumos sacerdotes acusavam-n’O de muitas coisas. Pilatos interrogou-O de novo: A «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam». C Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos ficou admirado. Pela festa da Páscoa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso que eles pedissem. Havia um homem chamado Barrabás, preso com os insurretos que tinham cometido um homicídio durante a revolta. A multidão, que tinha subido, começou a pedir a libertação habitual de um preso. Pilatos respondeu-lhes: A «Quereis que vos solte o rei dos Judeus?». C Ele sabia que os sumos sacerdotes lho tinham entregado por inveja. Entretanto, os sumos sacerdotes incitaram a multidão a que lhes soltasse antes Barrabás. Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes: A «Que hei de fazer então d’Aquele que chamais o rei dos Judeus?». C Eles gritaram novamente: F «Crucifica-O!». C Pilatos insistiu: A «Que mal fez Ele?». C Mas eles gritaram ainda mais: F «Crucifica-O!». C Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de mandar açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado.
Entrelaçaram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça
C Os soldados levaram Jesus para dentro do palácio, isto é, para o pretório, e convocaram toda a coorte. Revestiram-n’O com um manto de púrpura e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos que haviam entrelaçado. Depois começaram a saudá-l’O: F «Salve, rei dos Judeus!». C Batiam-Lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe e, dobrando os joelhos, prestavam-Lhe homenagem. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Em seguida levaram-n’O para fora, a fim de O crucificarem.
Levaram Jesus ao lugar do Gólgota
C Para levar a cruz de Jesus requisitaram, entretanto, um homem que passava, Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo, que vinha do campo. E levaram Jesus ao lugar do Gólgota, quer dizer, lugar do Calvário, e ofereceram-Lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não o quis beber.
Com Ele crucificaram também dois salteadores
C Depois crucificaram-n’O e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um. Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. O letreiro que indicava a causa da condenação dizia: «Rei dos Judeus». Com Ele crucificaram também dois salteadores, um à direita e outro à esquerda.
Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo!
C Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo: F «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz». C Os sumos sacerdotes e os escribas troçavam d’Ele, dizendo uns para os outros: A «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Esse Messias, rei de Israel, desça agora da cruz, para nós vermos e acreditarmos». C Até os que estavam crucificados com Ele O injuriavam.
Jesus, soltando um forte brado, expirou
C Ao meio-dia, as trevas cobriram toda a terra até às três horas da tarde. Às três horas, Jesus bradou com voz forte: ✠ «Eloí, Eloí, lemá sabactáni?», C que quer dizer: ✠ «Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonastes?». C Alguns dos presentes, ao ouvirem isto, disseram: A «Está a chamar por Elias». C Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de uma cana, dava-Lhe a beber, dizendo: A «Deixai-me ver se Elias vem tirá-l’O dali». C Mas Jesus, soltando um forte brado, expirou.
(Aqui todos se ajoelham e faz-se uma breve pausa)
C O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo. O centurião, que estava em frente de Jesus, ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou: A «Na verdade, este homem era Filho de Deus».] C Estavam também ali algumas mulheres a observar de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé. Estavam entre as que seguiam Jesus e O serviam quando Ele andava pela Galileia. E muitas outras que tinham subido com Ele a Jerusalém.
José rolou uma pedra para a entrada do sepulcro
C Ao cair da tarde, como era a Preparação, isto é, a véspera do sábado, José de Arimateia, membro ilustre do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, foi corajosamente à presença de Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos ficou admirado de Jesus já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se Ele já tinha morrido há muito tempo. Informado pelo centurião, Pilatos entregou o corpo a José. José comprou um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-O no lençol; depois colocou-O num sepulcro escavado na rocha. E rolou uma pedra para a entrada do sepulcro. Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde Jesus tinha sido colocado. – Palavra da salvação.
Comentário ao Evangelho do dia
«Procuravam uma maneira de prender Jesus à traição, para O matar». Escribas e fariseus procuram a morte de Jesus. Eu, verdadeira, profunda e conscientemente… o que procuro? Quem procuro? «Senhor, é o vosso rosto que eu procuro»: quantas vezes aquela gente teria rezado a Deus com estas palavras; quando, porém, se encontraram diante do verdadeiro homem e verdadeiro Deus, procuraram o seu fim trágico, pois Ele não correspondia aos seus esquemas. Desejemos uma Semana Santa de busca autêntica de Deus. Melhor: deixemo-nos procurar e encontrar por Deus, que nunca se cansa de Se pôr a caminho, numa verdadeira saída… em nosso favor. A sua busca é oposta à dos seus perseguidores; Deus procura fazer-Se amar livremente, não por coação, e por isso aceita também o drama, o risco da cruz. Sabemos que a cruz não será a última palavra, mas um instrumento terrível e doloroso em favor da nossa salvação. No Sábado Santo, como nas antigas ícones bizantinas, os instrumentos da Paixão tornar-se-ão chaves para abrir as portas dos infernos: a salvação de cada homem que se abre à salvação. Do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa: de uma exaltação à verdadeira vitória de Jesus sobre o mal e a morte.

