Textos retirados do Missalinho “Sobre a Tua Palavra” novembro-dezembro de 2024
Sagrada Família de Jesus, Maria e José (f) (C)
própria
PRIMEIRA LEITURA
Do primeiro livro de Samuel (1Sam 1,20-22.24-28)
No fim do ano, Ana concebeu e deu à luz um filho e chamou-lhe Samuel, «porque - dizia ela - ao Senhor o pedi». Quando Elcaná foi com toda a família oferecer ao Senhor o sacrifício anual e cumprir o seu voto, Ana não foi, pois disse ao marido: «Não irei, enquanto o menino não for desmamado e eu o puder levar a ver o rosto do Senhor; depois ficará lá para sempre». Depois de o desmamar, levou-o consigo, com um novilho de três anos, uma arroba de farinha e um odre de vinho, e introduziu-o no templo do Senhor, em Silo: era ainda uma criança. Imolado o novilho, apresentaram a criança a Eli, e ela disse: «Perdoa-me, meu senhor. Pela tua vida, meu senhor, eu sou aquela mulher que esteve aqui junto de ti a rezar ao Senhor. Foi por esta criança que eu rezei, e o Senhor concedeu-me a graça que Lhe pedi. Também eu a entrego ao Senhor: por todos os dias da sua vida, ela fica entregue ao Senhor». E prostraram-se ali diante do Senhor. - Palavra do Senhor.
Comentário à primeira leitura
Elcaná e Ana tinham recebido o filho como um dom e uma graça, porque Ana era estéril. Samuel é consagrado a Deus e, de facto, a sua vida será fundamental para a história de Israel: é ele que recebe de Deus a ordem de iniciar a monarquia, ungindo primeiro Saul e depois David; era a ele que recorriam para resolver as questões mais graves (o próprio rei Saul consultava-o continuamente) e era como o juiz, a voz de Deus para todo o povo. Alcançou grande prestígio e foi uma figura íntegra. Isto faz-nos compreender como é necessário e importante dedicar a vida a Deus, qualquer que seja a missão que Ele queira confiar-nos. É de notar que, muitas vezes, as pessoas assim consagradas a Ele têm por detrás pais santos, que não consideram os filhos sua propriedade privada e sabem separar-se deles mesmo quando ainda são crianças (e podemos imaginar a dor das mães), porque sabem que estão destinados a grandes coisas para Deus. Isto ensina-nos o primado de Deus e a educar os filhos para serem livres de seguir o seu caminho, sobretudo se for o Senhor quem os chama. Os filhos pertencem a Deus antes de nos pertencerem.
SEGUNDA LEITURA
Da primeira carta de São João Apóstolo (1Jo 3,1-2.21-24)
Caríssimos, vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus. E somo-lo de facto! Por isso o mundo não nos conhece, porque não O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos, porém, que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é. Caríssimos, se o nosso coração não nos condena, temos confiança diante de Deus e recebemos d’Ele tudo o que Lhe pedimos, porque cumprimos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável. É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que Ele permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu. - Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
João reafirma que o mandamento de Deus é que acreditemos no Filho e nos amemos uns aos outros. Estas duas realidades estão ligadas, porque acreditar que Jesus é Deus significa acolhê-Lo na nossa vida e depois conformar todos os nossos atos com a caridade, porque Deus é amor. Os filhos recebem a mesma natureza dos pais; por isso, se estamos em Cristo, também nós somos filhos, por participação no amor. No fundo, se estamos na graça de Deus, somos um mistério para nós próprios, porque, embora mantenhamos todos os aspetos humanos com as respetivas fraquezas, ao mesmo tempo trazemos em nós um germe divino que nos eleva a uma dimensão sobrenatural, que não era própria dos homens antes do dom do Espírito Santo. Sentimo-nos, portanto, atraídos por dois mundos: por um lado, voltados para o mundo; por outro, para Deus. Este conflito interior é permanente, enquanto não formos libertados do nosso corpo pela morte. E é bom que assim seja, porque, se somos filhos, o nosso desejo é reunirmo-nos definitivamente com o Pai e viver a vida do amor para a qual fomos criados.
EVANGELHO DO DIA
Evangelho segundo São Lucas (Lc 2,41-52)
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. Terminados esses dias, quando regressavam, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os seus pais o soubessem. Pensando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-Lo entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém à sua procura. Passados três dias, encontraram-No no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando O viram, ficaram admirados, e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não compreenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos no seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens. - Palavra do Senhor.
Comentário ao Evangelho do dia
«Ocupar-se das coisas do Pai» significa colocar as coisas de Deus acima de todas as outras, até mesmo dos afetos naturais da família. Se tiver esta intenção, a família realiza-se, porque a Providência divina quis a família como célula fundamental da vida da humanidade. Desde sempre, Deus, criador e ordenador, pensou e quis para nós a família: pai, mãe e filhos, e quis tanto isso que a santificou quando, vindo ao mundo, viveu grande parte da sua existência na família de José e Maria. O primado de Deus, de facto, não destrói as coisas boas que Ele quis: uma vez regressado a Nazaré, Jesus obedece em tudo aos pais, enquanto estes vivem em conformidade com a ordem querida por Deus. Na família de Nazaré, todos obedecem a todos. Jesus, humilde e dócil, está submisso aos pais; Maria Santíssima escuta o seu esposo, tal como José escuta a sua esposa; ele, que tem em casa a Rainha do Céu e o próprio Deus em Cristo Jesus, vive unicamente para eles, obedecendo a todos os desejos do Pai para o bem deles. Família perfeita, porque coloca Deus em primeiro lugar.


