4.º domingo do Tempo Comum (A)
Liturgia das horas 4.ª sem. salt.
Hoje entramos com Jesus na sinagoga de Cafarnaum: aqui Ele ensina com autoridade e manifesta o seu poder sobre as forças do mal, suscitando rapidamente a surpresa dos presentes. Jesus mergulha nas feridas do homem e traz cura e libertação. Peçamos a Jesus, único Mestre de sabedoria e libertador do mal, o dom de saber escutar a sua Palavra, que alimenta a vida e a faz florescer.
Textos retirados do Missal “Sobre a Tua Palavra”, janeiro-fevereiro de 2021.
PRIMEIRA LEITURA
Do livro do Deuteronómio (Dt 18,15-20)
Moisés falou ao povo, dizendo: «O Senhor, teu Deus, suscitará para ti, no meio de ti, entre os teus irmãos, um profeta como eu. A ele deves escutar. Assim terás aquilo que pediste ao Senhor, teu Deus, no Horeb, no dia da assembleia, dizendo: “Que eu não volte a ouvir a voz do Senhor, meu Deus, nem volte a ver este grande fogo, para não morrer”. O Senhor respondeu-me: “Está bem o que disseram. Suscitarei para eles um profeta do meio dos seus irmãos, porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar. Se alguém não escutar as palavras que ele disser em meu nome, Eu próprio lhe pedirei contas. Mas o profeta que tiver a presunção de dizer em meu nome uma coisa que Eu não lhe mandei dizer, ou que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá”». – Palavra do Senhor.
Comentário à primeira leitura
«Suscitarei para eles um profeta do meio dos seus irmãos, porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar». A primeira leitura de hoje delineia a figura de um verdadeiro e autêntico profeta. Durante séculos, o povo de Israel viveu o contraste entre os verdadeiros profetas, aqueles que falavam e agiam em nome de Deus, mesmo ao preço da incompreensão e da perseguição, e os falsos: aqueles que proferiam palavras e juízos suavizados por causa do compromisso com o poder e eram dominados pelo medo da rebelião por parte do povo. Em suma, estes eram guiados apenas por interesses pessoais. O livro do Deuteronómio, na realidade, invoca a chegada de Jesus Cristo. Com efeito, mais ninguém pode corresponder plena e perfeitamente ao título de profeta. O profeta não é um antecipador de acontecimentos (uma espécie de mágico ou algo semelhante), mas aquele a quem é dado o poder, a autoridade (como vemos no Evangelho de hoje) de falar e agir em nome do Pai bom. Mais precisamente, o profeta anuncia a bondade que é característica de Deus: sabe ver e curar as feridas e é capaz de se alegrar nos momentos adequados.
SEGUNDA LEITURA
Da primeira carta de São Paulo apóstolo aos Coríntios (1Cor 7,32-35)
Irmãos, eu gostaria que estivésseis livres de preocupações: quem não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, com o modo de agradar ao Senhor; mas quem é casado preocupa-se com as coisas do mundo, com o modo de agradar à esposa, e fica dividido! Assim, a mulher não casada, como a virgem, preocupa-se com as coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a mulher casada preocupa-se com as coisas do mundo, com o modo de agradar ao marido. Digo isto para vosso bem: não para vos lançar uma armadilha, mas para que procedais dignamente e permaneçais fiéis ao Senhor, sem desvios. – Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
«Irmãos, eu gostaria que estivésseis livres de preocupações». É preciso compreender bem o desejo e a exortação de Paulo aos Coríntios. A vontade do Apóstolo é que cada um, em qualquer situação da vida e em qualquer condição, possa amar, louvar e bendizer o Senhor pelas grandes coisas que realiza nas nossas histórias pessoais e comunitárias. Tentemos, então, refletir sobre as suas palavras e aplicá-las aos nossos dias. Seria um grave erro escolher a vida consagrada ou o sacerdócio, entendendo-os como uma fuga ou uma demonstração de medo perante a escolha da vida matrimonial. Seria também errado que uma pessoa consagrada ou um sacerdote dissesse: «Sou melhor, porque fiz esta escolha de consagração». São Paulo coloca-nos, porém, também diante do erro oposto, infelizmente muito frequente. Há quem diga: «Tenho uma família de quem procuro cuidar, não lhes falta nada, trabalho até à exaustão para chegar ao fim do mês. Como posso ter energia para pensar também no Senhor Jesus?». Por vezes, seria mesmo útil pôr por escrito as nossas prioridades: que lugar damos ao Senhor? Devemos sempre recordar e procurar fazer nossa a exortação que encerra a carta de São Paulo: em qualquer condição de vida, o importante é proceder dignamente e permanecer fiéis ao Senhor.
EVANGELHO DO DIA
Evangelho segundo São Marcos (Mc 1,21-28)
Naquele tempo, Jesus entrou na sinagoga a um sábado e começou a ensinar. Todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas. Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: «Que tens Tu a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus!». Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». O espírito impuro, agitando-o violentamente e soltando um forte grito, saiu dele. Ficaram todos tão admirados que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!». E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia. – Palavra da salvação.
Comentário ao Evangelho do dia
«Todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas». Jesus tem verdadeira autoridade; é aquele que não só permite, mas dá força para um verdadeiro crescimento na fé, na esperança e na caridade. Esta verdade surpreende as pessoas, talvez habituadas a tantos charlatães ou até a pessoas de boa vontade, mas que não sabem captar o sentido da própria existência e da existência dos outros. Todos nós ficamos admirados e sentimos necessidade de descobrir os caminhos da autoridade de Jesus. Na realidade, há uma grande diferença entre autoridade (o carinho que faz crescer), autoritarismo (levantar a voz e as mãos por sermos incapazes de oferecer explicações convincentes) e, por fim, o facilitismo: neste último caso, deixa-se passar tudo, desde o que é bom até ao que é mau, porque, simplesmente, parece mais cómodo. O autoritarismo e o facilitismo não podem ser as chaves de uma verdadeira educação, não ajudam ninguém, muito menos os filhos (sobretudo se forem adolescentes) ou aqueles que, de alguma forma, nos estão confiados: alunos, funcionários, jovens do oratório ou da paróquia… Por isso, também nós precisamos de parar um momento e redescobrir o sentido da verdadeira autoridade moral, capaz de orientar, ensinar e fazer crescer.

