Hoje, a meio do Advento, recebemos um convite à alegria e à esperança: «Alegrai-vos sempre (…) dai graças em todas as circunstâncias» (1Ts 5,16-17). O Senhor está perto! Juntamente com o profeta Isaías, juntamente com João Batista, que encontramos no Evangelho, juntamente com Maria, também nós exclamamos: «Exulto de alegria no Senhor».
Textos retirados do Missalinho “Sobre a Tua Palavra” – novembro dezembro
3.º domingo do Advento (B)
3.ª sem. salt.
PRIMEIRA LEITURA
Do livro do profeta Isaías (Is 61,1-2.10-11)
O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a tratar as feridas dos corações despedaçados, a proclamar a liberdade aos cativos e a libertação aos prisioneiros, a proclamar o ano da graça do Senhor. Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, porque me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu com o manto da justiça, como um esposo que cinge a fronte com o diadema e como uma noiva que se adorna com as suas joias. Assim como a terra faz brotar os seus rebentos e o jardim germinar as suas sementes, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e o louvor diante de todas as nações. – Palavra do Senhor.
Comentário à primeira leitura
O profeta Isaías oferece-nos imediatamente o tom certo para cantarmos este domingo do Advento, intitulado “Alegrai-vos”: juntamente com o homem de Deus, juntamente com João Batista, que encontramos no Evangelho, também nós podemos exclamar: «Exulto de alegria no Senhor». A primeira leitura de hoje apresenta, no início, a vocação, a consagração e a missão do profeta. Quem é ele? João Batista esclarece, no Evangelho, que não é ele e indica outro que há de vir: Jesus, o Cristo. Esta leitura convida-nos a refletir sobre o facto de que, se cada um de nós já é um prodígio desde o início da sua existência, pelo Batismo recebemos do Espírito Santo este carisma, este dom profético: podemos anunciar a boa notícia do Evangelho e da nossa vida. Podemos apoiar, cuidar e encorajar aqueles que já não sabem amar; rezar e ajudar na libertação do pecado em todo o mundo; afirmar solenemente a presença do Senhor. Tudo isto parece um sonho, mas é possível na medida em que permanecemos unidos a Cristo. Com efeito, no quarto capítulo do Evangelho de Lucas, ele próprio utilizará estas palavras para explicar a sua missão de salvação e de alegria.
SEGUNDA LEITURA
Da primeira carta de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses (1Ts 5,16-24)
Irmãos, alegrai-vos sempre, rezai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus a vosso respeito. Não apagueis o Espírito, não desprezeis as profecias. Examinai tudo e guardai o que é bom. Afastai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos santifique totalmente, e todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. É fiel Aquele que vos chama e cumprirá tudo isto! – Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
São Paulo continua a oferecer uma melodia alegre, com voz sonora, no solene cântico de alegria entoado por Isaías na primeira leitura. «Alegrai-vos sempre», diz o Apóstolo. Perguntemo-nos então: que tipo de júbilo e serenidade vive o cristão? O discípulo de Jesus não é como esses pretensos sábios que se afastam do mundo e dos sofrimentos humanos para encontrar, apenas em si próprios e naqueles que pensam de modo semelhante, uma indiferença que os torne superiores a todos: como quem diz, «mesmo que o mundo sofra e gema, eu fecho-me na minha pequena concha e fico bem assim». Quem segue o Senhor também não tenta encontrar a felicidade em mil divertimentos que sabem apenas a desorientação, fuga e perda fácil da própria dignidade. O cristão que procura viver autenticamente a sua fé não se afasta dos sofrimentos do mundo, próximos e distantes. Pelo contrário, aproxima-se deles, levando consigo uma alegre esperança: é o Senhor quem conduz a história, mesmo nas dobras e nas feridas mais agudas e aparentemente absurdas que encontramos no nosso caminho. Isto é válido hoje, tal como era no tempo de Cristo Senhor.
EVANGELHO DO DIA
Do Evangelho segundo São João (Jo 1,6-8.19-28)
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: «Quem és tu?». Ele confessou e não negou; confessou: «Eu não sou o Cristo». Então perguntaram-lhe: «Quem és, então? És tu Elias?». «Não sou», respondeu. «És tu o Profeta?». «Não», respondeu. Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?». Ele respondeu: «Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus. Perguntaram-lhe: «Então, porque batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?». João respondeu-lhes: «Eu batizo na água. No meio de vós está alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia da sandália». Isto aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava a batizar. – Palavra do Senhor.
Comentário ao Evangelho do dia
Parece que a palavra «testemunho» pode ser a chave para aceder ao significado profundo desta página do Evangelho. Em grego antigo, para indicar a «testemunha» usa-se a palavra «mártir»: aquele que é fiel à verdade e ao encontro com Cristo, até dar a própria vida por amor. Se este é o domingo dedicado à alegria, como é possível, então, falar tão abertamente de morte e de aparente fracasso? A explicação está na figura de João Batista. Ele ainda não é a luz da alegria, mas a sua vocação e missão consistem precisamente em indicar a verdadeira luz, aquela que não se extingue. Foi uma testemunha autêntica d’Aquele que havia de vir, que estava prestes a surgir na vida pública no meio do povo de Deus. João Batista encontra-se, portanto, numa posição muito especial: por um lado, vem antes de Jesus, com o seu forte convite à conversão; por outro, é precisamente o último daqueles que anunciaram antecipadamente o Salvador, apresentando-o depois ao mundo na cena do batismo. Também nós somos chamados a dar testemunho da nossa fé, como João Batista. Testemunhas, mesmo silenciosas mas eficazes, da alegria vivida e, por isso, partilhada.

