Textos retirados do Messalino «Sulla Tua Parola» maio-junho de 2025
3.º domingo da Páscoa (C)
3.ª sem. salt.
PRIMEIRA LEITURA
Dos Atos dos Apóstolos (At 5,27b-32.40b-41)
Naqueles dias, o sumo sacerdote interrogou os apóstolos, dizendo: «Não vos tínhamos expressamente proibido ensinar em nome dele? E eis que enchestes Jerusalém com o vosso ensinamento e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». Pedro respondeu, juntamente com os apóstolos: «É preciso obedecer a Deus antes que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-o numa cruz. Deus exaltou-o à sua direita como chefe e salvador, para conceder a Israel a conversão e o perdão dos pecados. E destes acontecimentos somos testemunhas nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem». Mandaram açoitar [os apóstolos] e ordenaram-lhes que não falassem em nome de Jesus. Depois, puseram-nos em liberdade. Eles saíram então do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de sofrer ultrajes pelo nome de Jesus. – Palavra de Deus.
Comentário à primeira leitura
Os apóstolos demonstram uma grande liberdade perante o sinédrio, que constituía a principal autoridade da religião judaica. Mas chegou o momento de pregar a realização do próprio judaísmo: o Messias veio, é Jesus; o Filho de Deus continua a viver na Igreja, concedendo o seu Espírito Santo, que nos faz vencer as tentações, rejeitar o demónio e o mal, e viver na alegria espiritual da ressurreição. Não é possível calar estas coisas! Também hoje, devemos proclamar do alto dos telhados estas verdades, e não importa se nos tomarem por fanáticos ou exagerados. É certo que há maneiras e maneiras de evangelizar, mas a necessidade de proclamar a verdade é realmente urgente, porque sem Jesus nada podemos fazer. Notemos que os apóstolos saíram alegres do sinédrio, mas depois de terem sido, apesar de tudo, severamente maltratados; com efeito, foram bem açoitados! Como é possível ser feliz depois de se ter sofrido uma terrível flagelação? É possível, se o Espírito Santo vive em nós. Não devemos, portanto, temer nada, porque o verdadeiro mal não são os açoites, mas o pecado.
SEGUNDA LEITURA
Do livro do Apocalipse de São João apóstolo (Ap 5,11-14)
Eu, João, vi e ouvi vozes de muitos anjos à volta do trono, dos seres vivos e dos anciãos. O seu número era de miríades de miríades e milhares de milhares, e diziam em alta voz: «O Cordeiro, que foi imolado, é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e a bênção». E ouvi todas as criaturas no céu e na terra, debaixo da terra e no mar, e todos os seres que aí se encontravam, dizerem: «Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, louvor, honra, glória e poder, pelos séculos dos séculos». E os quatro seres vivos diziam: «Ámen». E os anciãos prostraram-se em adoração. – Palavra do Senhor.
Comentário à segunda leitura
Quando João vê as coisas que acontecem no céu, faz-nos entrar numa grandiosa liturgia: prostrações, tronos, altares, incensos, orações, cânticos… Reina uma grande compostura, cada um tem o seu próprio papel e todos adoram o único Senhor, que é Jesus, Cordeiro sacrificado por amor de nós. No Paraíso, é isso que também faremos. Com efeito, a liturgia que vivemos nas nossas igrejas reproduz a do céu e assim habitua-nos, insere-nos e educa-nos a viver a realidade futura, a definitiva. Alguma vez ouviram o canto coral das vésperas num mosteiro beneditino? Os monges movem-se em uníssono, levantam-se, sentam-se, inclinam-se, incensam, elevam cânticos sublimes… E as pessoas dizem: «Parece que estamos no Paraíso!». E, na verdade, estamos, embora ainda estejamos sobrecarregados pela matéria e pelas coisas do mundo. Entre a vida terrena e a vida eterna, entre a vida corruptível e a vida gloriosa, há, portanto, continuidade. Daí resulta que a verdadeira atividade, a concretude das coisas, a realidade é aquilo que experimentamos na igreja, na liturgia. Se a vivermos bem, participamos profundamente na vida do céu.
EVANGELHO
Do Evangelho segundo São João (Jo 21,1-19)
Naquele tempo, Jesus manifestou-se de novo aos discípulos junto ao mar de Tiberíades. E manifestou-se assim: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós também vamos contigo». Saíram e entraram no barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao amanhecer, Jesus estava na margem, mas os discípulos não se tinham apercebido de que era Jesus. Disse-lhes Jesus: «Meus filhos, tendes alguma coisa para comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes então: «Lançai a rede para o lado direito do barco e encontrareis». Lançaram-na e já não conseguiam puxá-la, por causa da grande quantidade de peixes. Então, o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: «É o Senhor!». Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, apertou a túnica à volta da cintura, pois estava despido, e lançou-se ao mar. Os outros discípulos vieram no barco, puxando a rede cheia de peixes; na verdade, não estavam longe da terra mais de cem metros. Ao saltarem para terra, viram brasas com peixe em cima e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou para terra a rede cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». E nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe: «Quem és?», pois sabiam bem que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Foi esta a terceira vez que Jesus se manifestou aos discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.\u00a0Depois de terem comido, Jesus disse a Simão Pedro: «Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros». Disse-lhe de novo, pela segunda vez: «Simão, filho de João, amas-Me?». Ele respondeu-lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas». Disse-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, amas-Me?». Pedro ficou triste por Jesus lhe perguntar pela terceira vez: «Amas-Me?», e disse-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». Respondeu-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais novo, tu próprio te vestias e ias para onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te vestirá e te levará para onde não queres». Disse isto para indicar com que morte havia de glorificar a Deus. E, depois de dizer isto, acrescentou: «Segue-Me». – Palavra do Senhor.
Comentário ao Evangelho
É evidente que a tripla afirmação do amor por Jesus tem como objetivo reparar a tripla negação de que Pedro se tornara culpado no pátio do sumo sacerdote. Esta ligação é muito comentada pelos Padres. Mas o que tem a ver o discurso que se segue? Pedro proclama a sua renovada fidelidade a Jesus, e este responde-lhe dizendo que, quando for velho, já não conseguirá vestir-se sozinho e terá de ser levado por um ajudante. A explicação do evangelista («disse-lhe isto para indicar com que morte havia de glorificar a Deus») põe-nos no caminho certo… Evidentemente, para Pedro não basta a declaração verbal de amor. É necessária uma prova mais profunda: a da humildade. O idoso já não consegue vestir-se sozinho; tem de deixar que o façam e permitir que outra pessoa lhe ponha as mãos em cima, o que é bastante humilhante. Do mesmo modo, já não consegue subir escadas nem sair sozinho de casa: tem de ser acompanhado em tudo, como uma criança do jardim de infância. Este declínio da natureza é uma verdadeira humilhação, que nos torna totalmente humildes, despojados e necessitados. É aí que Pedro tem de chegar. Abandonado assim plenamente nas mãos de Deus, poderá então morrer como Jesus, por Jesus, por amor.
